OS ÁRBITROS
No canal História, um documentário mostra-nos os esforços titânicos que os cientistas vitorianos faziam para inventarem dispositivos anti-sexo.
Na Sic Notícias, homens falam sobre o aborto. Olhando para eles, estou seguro que nenhum será apanhado a fazer nenhum...
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
18 de fevereiro de 2004
17 de fevereiro de 2004
PSEUDO-INTELECTUAL
Houve um tempo em que me irritavam as pessoas que eu agrupava pelo epíteto "pseudo-intelectuais". Era jovem e idiota, na altura. Achava que ser um Verdadeiro Intelectual era maravilhoso.
Não entendia que deve ser formidável citar Kafka hoje e coçar os tomates em público, amanhã...
Quem me dera tal ligeireza!
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Houve um tempo em que me irritavam as pessoas que eu agrupava pelo epíteto "pseudo-intelectuais". Era jovem e idiota, na altura. Achava que ser um Verdadeiro Intelectual era maravilhoso.
Não entendia que deve ser formidável citar Kafka hoje e coçar os tomates em público, amanhã...
Quem me dera tal ligeireza!
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15 de fevereiro de 2004
PAX IN DOMINICUS
A maioria conservadora, apoiada pela sempre aventurosa oposição, rejeitou a possibilidade de serem administrados a doentes terminais medicamentos que contivessem na sua composição cannabis. Invocaram, não os deuses, como deveriam, mas sim o facto de "não existirem suficientes estudos" sobre o interesse da medida. Se tudo correr bem, dentro de 10 anos voltarão atrás para se pronunciarem favoravelmente sobre a prescrição de drogas que possam diminuir as terríveis dores, vómitos e tonturas de pessoas que estão a chegar ao fim.
Se tudo correr bem, não se lembrarão deste seu acto à vista de um ente querido que parta em agonia, ou deles mesmos, consumidos por coisa ruím.
Se tudo correr bem, talvez me venham à cabeça outras palavras que não sejam "burrice" e "crueldade"...
A maioria conservadora, apoiada pela sempre aventurosa oposição, rejeitou a possibilidade de serem administrados a doentes terminais medicamentos que contivessem na sua composição cannabis. Invocaram, não os deuses, como deveriam, mas sim o facto de "não existirem suficientes estudos" sobre o interesse da medida. Se tudo correr bem, dentro de 10 anos voltarão atrás para se pronunciarem favoravelmente sobre a prescrição de drogas que possam diminuir as terríveis dores, vómitos e tonturas de pessoas que estão a chegar ao fim.
Se tudo correr bem, não se lembrarão deste seu acto à vista de um ente querido que parta em agonia, ou deles mesmos, consumidos por coisa ruím.
Se tudo correr bem, talvez me venham à cabeça outras palavras que não sejam "burrice" e "crueldade"...
PARABÉNS!
Acabo de ver que o filme de Fernando Matos Silva, acaba de ser apoiado com 650.000 euros, pelo júri do ICAM.
Como o seu último filme registou exactamente 243 (duzentos e quarenta e três) espectadores não será difícil bater o seu próprio recorde. Uma palavra de apreço ao júri que sabendo do desinteresse do público pelo trabalho do referido realizador não hesitou em insisitir.
São decisões como esta que fazem crer que o cinema português está no bom caminho.
Acabo de ver que o filme de Fernando Matos Silva, acaba de ser apoiado com 650.000 euros, pelo júri do ICAM.
Como o seu último filme registou exactamente 243 (duzentos e quarenta e três) espectadores não será difícil bater o seu próprio recorde. Uma palavra de apreço ao júri que sabendo do desinteresse do público pelo trabalho do referido realizador não hesitou em insisitir.
São decisões como esta que fazem crer que o cinema português está no bom caminho.
NO CAFÉ
Hoje, uma professora primária (simpática, de resto) dizia-me que também lhe apetecia escrever um livro. Que "afinal, a área dela não era assim tão distante do acto de escrever". Sugeri-lhe que se sentasse e escrevesse. Não fui capaz de lhe dizer que escrever é não saber nada.
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Hoje, uma professora primária (simpática, de resto) dizia-me que também lhe apetecia escrever um livro. Que "afinal, a área dela não era assim tão distante do acto de escrever". Sugeri-lhe que se sentasse e escrevesse. Não fui capaz de lhe dizer que escrever é não saber nada.
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13 de fevereiro de 2004
TO POST OR NOT TO POST
É sempre um mistério o que interessa comentar. Política e sexo, há sempre quem opine. Literatura (pelo lado de dizer mal) também há regularmente quem se chegue à frente. Mas quando se fala de violência doméstica ou de propostas mais concretas para o país em que vivemos, apenas o silêncio responde.
Que posso acrescentar. É o país que merecemos.
É sempre um mistério o que interessa comentar. Política e sexo, há sempre quem opine. Literatura (pelo lado de dizer mal) também há regularmente quem se chegue à frente. Mas quando se fala de violência doméstica ou de propostas mais concretas para o país em que vivemos, apenas o silêncio responde.
Que posso acrescentar. É o país que merecemos.
ARTE VIRTUAL
Sou parte interessada e suspeita neste processo, mas aconselhava vivamente uma passagem pelo "nó" de arte virtual ATMOSFERAS (www.atmosferas.net). A equipa trabalhou durante bastante tempo para apresentar este projecto. Ainda que faça questão de manter a ideia de work in progress.
Pela parte das ficções "net oriented", aceitam-se propostas interessantes.
Sou parte interessada e suspeita neste processo, mas aconselhava vivamente uma passagem pelo "nó" de arte virtual ATMOSFERAS (www.atmosferas.net). A equipa trabalhou durante bastante tempo para apresentar este projecto. Ainda que faça questão de manter a ideia de work in progress.
Pela parte das ficções "net oriented", aceitam-se propostas interessantes.
LITERATURA
Auditório cheio para todas as sessões. Em muitas, gente interessada de pé a ouvir os convidados. E muitos deles foram os que mereceram, pela forma humorada com que trataram as coisas graves do mundo. Um encontro diferente da aborrecida mediania geral. Não sei exactamente por que não frutifica esta raiz noutras zonas do país... Mas uma boa organização e uma inteligente maneira de tratar público e convidados não deverão estar longe das principais razões do sucesso desta iniciativa.
A repetir.
Auditório cheio para todas as sessões. Em muitas, gente interessada de pé a ouvir os convidados. E muitos deles foram os que mereceram, pela forma humorada com que trataram as coisas graves do mundo. Um encontro diferente da aborrecida mediania geral. Não sei exactamente por que não frutifica esta raiz noutras zonas do país... Mas uma boa organização e uma inteligente maneira de tratar público e convidados não deverão estar longe das principais razões do sucesso desta iniciativa.
A repetir.
12 de fevereiro de 2004
10 de fevereiro de 2004
AI JEJUS... QUE VEM AÍ O DEMO!
Mil anos depois dos países civilizados e muitas manifestações de estudantes depois, o Ministério aparenta estar decidido a criar uma disciplina específica de Educação Sexual nas escolas. Obviamente que ainda se dirá muita cagança sobre o assunto. Já defendi aqui, por várias vezes, a indispensabilidade de criar áreas de desenvolvimento pessoal, EFICAZES, nos programas. Mas confesso estar mais de acordo com a ideia de Educação para a Saúde que integre os aspectos práticos da res sexual. Não há-de ser muito complicado explicar aos meninos que se meterem a coisinha desprotegida numa das duas hipóteses mais óbvias se arriscam a levar para casa mais do que desejavam. E que as meninas tontas que olharem apenas para os olhos iguaizinhos aos da Ragazza! que se debruçam, sem calças, em cima delas se arriscam (além dos extras já referidos) a gerar dentro de si algo mais do que um grande amor.
E de caminho talvez se possa ensinar que cada um de nós tem direito ao seu corpo e que este não pode ser abusado, seja pelas vias tradicionais da violência, seja pela do sexo prematuro e indesejado.
É assim tão complicado?
Mil anos depois dos países civilizados e muitas manifestações de estudantes depois, o Ministério aparenta estar decidido a criar uma disciplina específica de Educação Sexual nas escolas. Obviamente que ainda se dirá muita cagança sobre o assunto. Já defendi aqui, por várias vezes, a indispensabilidade de criar áreas de desenvolvimento pessoal, EFICAZES, nos programas. Mas confesso estar mais de acordo com a ideia de Educação para a Saúde que integre os aspectos práticos da res sexual. Não há-de ser muito complicado explicar aos meninos que se meterem a coisinha desprotegida numa das duas hipóteses mais óbvias se arriscam a levar para casa mais do que desejavam. E que as meninas tontas que olharem apenas para os olhos iguaizinhos aos da Ragazza! que se debruçam, sem calças, em cima delas se arriscam (além dos extras já referidos) a gerar dentro de si algo mais do que um grande amor.
E de caminho talvez se possa ensinar que cada um de nós tem direito ao seu corpo e que este não pode ser abusado, seja pelas vias tradicionais da violência, seja pela do sexo prematuro e indesejado.
É assim tão complicado?
O SOM DAS COISAS A CAIR
Na Grande Reportagem apensa ao DN de sábado, uma entrevista cool a um fazedor de selas. Ao deslumbramento do repórter ( e nosso, também) sobre o facto do artesão ter manufacturado os assentos onde os heróis do SENHOR DOS ANÉIS batalharam pela vida, ele limitou-se a dizer, com humor: "As selas estão muito direitinhas e eles caem muito bem delas abaixo".
Lol!
Na Grande Reportagem apensa ao DN de sábado, uma entrevista cool a um fazedor de selas. Ao deslumbramento do repórter ( e nosso, também) sobre o facto do artesão ter manufacturado os assentos onde os heróis do SENHOR DOS ANÉIS batalharam pela vida, ele limitou-se a dizer, com humor: "As selas estão muito direitinhas e eles caem muito bem delas abaixo".
Lol!
ALENTEJO LITORAL
A mulher era velha. O homem também. Ele esfregava-lhe a manga da camisola na cara: "Vês a nódoa que lhe metestes, vês?!". Ela gemia, procurando afastar-se. Na violência da voz dele, e na forma familiar com que a agredia percebia-se a prática. Hoje era apenas uma protesto. Noutros dias, seria a sério.
Até que a morte os separe.
A mulher era velha. O homem também. Ele esfregava-lhe a manga da camisola na cara: "Vês a nódoa que lhe metestes, vês?!". Ela gemia, procurando afastar-se. Na violência da voz dele, e na forma familiar com que a agredia percebia-se a prática. Hoje era apenas uma protesto. Noutros dias, seria a sério.
Até que a morte os separe.
5 de fevereiro de 2004
AFERIÇÕES
O Ministério da Educação decidiu que este ano a rapaziada do 9º ano vai ser toda examinada a Português e Matemática. E daí se concluirá se vamos ter cidadãos conhecedores ou não.
Aliás, a maioria dos putos, quando abre a boca é só para dizer Pi ("Vai-te PIii... Meu ganda Piiiiiiii, ó setôr vá pró Piiii....Não desligo o Pi do telemóvel..."). Na verdade, a união entre a língua materna e a matemática parece-me bastante sólida.
Bem-hajam luminárias governativas por não se preocuparem em avaliar ( e conhecer os desastrosos resultados) da Inteligência Emocional dos futuros portugueses.
O Ministério da Educação decidiu que este ano a rapaziada do 9º ano vai ser toda examinada a Português e Matemática. E daí se concluirá se vamos ter cidadãos conhecedores ou não.
Aliás, a maioria dos putos, quando abre a boca é só para dizer Pi ("Vai-te PIii... Meu ganda Piiiiiiii, ó setôr vá pró Piiii....Não desligo o Pi do telemóvel..."). Na verdade, a união entre a língua materna e a matemática parece-me bastante sólida.
Bem-hajam luminárias governativas por não se preocuparem em avaliar ( e conhecer os desastrosos resultados) da Inteligência Emocional dos futuros portugueses.
ESTÁDIOS
Não percebo esta onda de contestação em relação aos distúrbios que deram uma interdição de campo ao Guimarães. Então os pobres luso-hooligans viram-se à rasca para arrancar as cadeiras dos sítios e atirá-las com um mínimo decente de pontaria aos jogadores e árbitros e ainda são repreendidos por isso. Quer dizer: não só não os deixam levar pedras, armas, rockets ou outra coisinha qualquer com que se divertir, como ainda lhes querem quebrar a capacidade de improviso...! Assim para que é que se andou a gastar milhões e milhões em estádios? Se não deixam os adeptos divertir-se, mais valia ter ficado tudo na mesma...
Não percebo esta onda de contestação em relação aos distúrbios que deram uma interdição de campo ao Guimarães. Então os pobres luso-hooligans viram-se à rasca para arrancar as cadeiras dos sítios e atirá-las com um mínimo decente de pontaria aos jogadores e árbitros e ainda são repreendidos por isso. Quer dizer: não só não os deixam levar pedras, armas, rockets ou outra coisinha qualquer com que se divertir, como ainda lhes querem quebrar a capacidade de improviso...! Assim para que é que se andou a gastar milhões e milhões em estádios? Se não deixam os adeptos divertir-se, mais valia ter ficado tudo na mesma...
A FAUNA
Não é verdade que não exista vida selvagem nas cidades.
Ainda ontem vi um bando de abutres à porta do Instituto Prisional de Lx. Pousavam à volta de carros de emissão via-satélite e procuravam arrancar bocados de carne de tudo o que passasse.
Consta que o mesmo bando foi hoje avistado para os lados do TIC.
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Não é verdade que não exista vida selvagem nas cidades.
Ainda ontem vi um bando de abutres à porta do Instituto Prisional de Lx. Pousavam à volta de carros de emissão via-satélite e procuravam arrancar bocados de carne de tudo o que passasse.
Consta que o mesmo bando foi hoje avistado para os lados do TIC.
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4 de fevereiro de 2004
HÁ LÁ COISA MAIS PERIGOSA
que o amor? O homem que ama não tem medo, nem pode ser manipulado por nada exterior a esse sentimento. Não se lembra da missa, nem de rezar como lhe exigiram, não se lembra de escolher alguém que sirva os interesses dos outros, porque a pessoa que tem na frente lhe parece a única. O homem que ama não calça as botas cardadas para sair à rua à procura de gente diferente dele a quem possa ferir antes que o magoem a ele; não tem medo da diferença porque ele próprio se sabe único. Amar e compreender são sinónimos, porque quem ama quer saber tudo o que há sobre a face da terra, e para saber tudo tem de abrir o coração ou muitas seriam as coisas que cairiam por terra.
Alguém já o disse, mas eu repito-o, porque as palavras são para serem tomadas como nossas quando nos revemos na forma das suas linhas: os políticos têm medo do amor, as instituições têm medo do amor; os lóbis têm medo do amor. Do amor em sentido lato. Têm medo que a gente os compreenda, que olhe para eles e em vez das vestes púrpuras ou dos fatos Armani vejamos o homem fraco que na sua insegurança fará tudo pelo poder. E para isso necessita de nos manipular, de nos criar medos, de nos dar com uma mão para nos poder tirar com a outra. O seu maior medo é que não dancemos ao som da sua música. Porque ficariam sozinhos e minúsculos...
Mas como pode dançar apenas com a música dos mesquinhos o homem que procura ter dentro de si a música do mundo inteiro?
que o amor? O homem que ama não tem medo, nem pode ser manipulado por nada exterior a esse sentimento. Não se lembra da missa, nem de rezar como lhe exigiram, não se lembra de escolher alguém que sirva os interesses dos outros, porque a pessoa que tem na frente lhe parece a única. O homem que ama não calça as botas cardadas para sair à rua à procura de gente diferente dele a quem possa ferir antes que o magoem a ele; não tem medo da diferença porque ele próprio se sabe único. Amar e compreender são sinónimos, porque quem ama quer saber tudo o que há sobre a face da terra, e para saber tudo tem de abrir o coração ou muitas seriam as coisas que cairiam por terra.
Alguém já o disse, mas eu repito-o, porque as palavras são para serem tomadas como nossas quando nos revemos na forma das suas linhas: os políticos têm medo do amor, as instituições têm medo do amor; os lóbis têm medo do amor. Do amor em sentido lato. Têm medo que a gente os compreenda, que olhe para eles e em vez das vestes púrpuras ou dos fatos Armani vejamos o homem fraco que na sua insegurança fará tudo pelo poder. E para isso necessita de nos manipular, de nos criar medos, de nos dar com uma mão para nos poder tirar com a outra. O seu maior medo é que não dancemos ao som da sua música. Porque ficariam sozinhos e minúsculos...
Mas como pode dançar apenas com a música dos mesquinhos o homem que procura ter dentro de si a música do mundo inteiro?
2 de fevereiro de 2004
BLOGGING......
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Ultimamente quase não leio blogues. Quer dizer, vou espreitando os de sempre e deixo-me guiar de uns para os outros, ao sabor do rato, o que me parece uma forma de manter uma vida mais tranquila.
Durante esta navegação fui parar a um site onde se diz que o "o Tolkien é um autor menor". O homem que recriou todo um universo e o povoou de centenas de personagens fortes e comovedoras é um autor de pouco interesse...
Vindo de quem vem, preocupa-me um pouco...
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Ultimamente quase não leio blogues. Quer dizer, vou espreitando os de sempre e deixo-me guiar de uns para os outros, ao sabor do rato, o que me parece uma forma de manter uma vida mais tranquila.
Durante esta navegação fui parar a um site onde se diz que o "o Tolkien é um autor menor". O homem que recriou todo um universo e o povoou de centenas de personagens fortes e comovedoras é um autor de pouco interesse...
Vindo de quem vem, preocupa-me um pouco...
SESSÃO DUPLA
Em 2 dias, o "Lost in Translation" (título que em português se perdeu, de facto, na tradução...) e o "Être et Avoir" (Ser e Ter). 10 euros bem gastos. A realizadora que nos tinha envolvido com as suas "Virgens Suicidas" volta a embrulhar-nos numa relação entre um actor maduro e uma jovem mal casada, ambos enrolados numa Tóquio nocturna de néons.
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..............................................
"Ser e Ter" é igualmente um filme sobre a solidão. Um mestre-escola que acompanha os seus alunos até ao portão da escola, de onde nem todos voltarão. Numa altura em que a RTP (a gente) irá distribuir (certamente, mal) dinheiro por vários documentários, recebemos esta lição de Philibert. Um documentarista não é um pretensioso que não sabe escrever diálogos: é um cineasta que os sabe escutar.
Em 2 dias, o "Lost in Translation" (título que em português se perdeu, de facto, na tradução...) e o "Être et Avoir" (Ser e Ter). 10 euros bem gastos. A realizadora que nos tinha envolvido com as suas "Virgens Suicidas" volta a embrulhar-nos numa relação entre um actor maduro e uma jovem mal casada, ambos enrolados numa Tóquio nocturna de néons.
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"Ser e Ter" é igualmente um filme sobre a solidão. Um mestre-escola que acompanha os seus alunos até ao portão da escola, de onde nem todos voltarão. Numa altura em que a RTP (a gente) irá distribuir (certamente, mal) dinheiro por vários documentários, recebemos esta lição de Philibert. Um documentarista não é um pretensioso que não sabe escrever diálogos: é um cineasta que os sabe escutar.
30 de janeiro de 2004
OSHO 2
Debate mensal. Um primeiro-ministro defende-se das acusações de uma oposição barriguda perguntando "que governo teria interesse em ter contra si 700.000 funcionários públicos?". Eles berram-lhe com a sobranceria dos irresponsáveis que se estão a cagar para as evidências.
Um pouco depois, a câmara da Sic Notícias apanha uma (ainda) ministra da Justiça a desfazer-se em sorrisos enquanto persegue (já de cigarro na boca, dentro do hemiciclo...) uma ministra das Finanças que lhe vira as costas e o seu próprio egocêntrico patrão partidário que lhe faz o mesmo. Se fosse preciso pôr legendas neste quadro seria "Companheira, amiga, palhaça: estás out!"
No rodapé do jornal da tarde, a notícia da união da maioria contra tudo o que toque a despenalização do aborto. A necessidade de manter o apoio do reaccionário partido da direita obrigará o PSD a calar a sua consciência. E a calar as 120.000 vozes que pediram, por escrito, um novo referendo.
"Esqueça tudo o que lhe disseram sobre "Isto é certo e aquilo é errado": A vida não é assim tão imóvel. Aquilo que é certo hoje pode ser errado amanhã, a coisa que é errada neste momento pode ser certa no momento seguinte, (...) A vida não é uma farmácia once cada frrasco está rotulado e se sabe o que é o quê. A vida é um mistério: numa determinada altura tudo se ajusta e então é certo; numa outra altura, correu tanta águapelo Ganges abaixo que deica de se ajustar e é errada."
idem, ibidem
Debate mensal. Um primeiro-ministro defende-se das acusações de uma oposição barriguda perguntando "que governo teria interesse em ter contra si 700.000 funcionários públicos?". Eles berram-lhe com a sobranceria dos irresponsáveis que se estão a cagar para as evidências.
Um pouco depois, a câmara da Sic Notícias apanha uma (ainda) ministra da Justiça a desfazer-se em sorrisos enquanto persegue (já de cigarro na boca, dentro do hemiciclo...) uma ministra das Finanças que lhe vira as costas e o seu próprio egocêntrico patrão partidário que lhe faz o mesmo. Se fosse preciso pôr legendas neste quadro seria "Companheira, amiga, palhaça: estás out!"
No rodapé do jornal da tarde, a notícia da união da maioria contra tudo o que toque a despenalização do aborto. A necessidade de manter o apoio do reaccionário partido da direita obrigará o PSD a calar a sua consciência. E a calar as 120.000 vozes que pediram, por escrito, um novo referendo.
"Esqueça tudo o que lhe disseram sobre "Isto é certo e aquilo é errado": A vida não é assim tão imóvel. Aquilo que é certo hoje pode ser errado amanhã, a coisa que é errada neste momento pode ser certa no momento seguinte, (...) A vida não é uma farmácia once cada frrasco está rotulado e se sabe o que é o quê. A vida é um mistério: numa determinada altura tudo se ajusta e então é certo; numa outra altura, correu tanta águapelo Ganges abaixo que deica de se ajustar e é errada."
idem, ibidem
OSHO 1
Numa das palestras do filósofo indiano que dá o título a este post, reunidas em livro sobre o título "Coragem", afirmou o seguinte:
"Coragem significa entrar no desconhecido, apesar de todos os medos. Coragem não significa temeridade. A temeridade acontece se você continuar a ser cada vez mais corajoso. Essa é a experiência última da coragem - a temeridade: é essa a fragrância quando a coragem se tornou absoluta (...) ao princípio não há grande diferença entre o cobarde e a pessoa corajosa. A única diferença é que o cobarde escuta os seus medos e segue-os, e a pessoa corajosa afasta-os e segue em frente.(...) entra no desconhecido apesar de todos os medos. Ela conhece os medos, os medos estão lá.(...) Estava perfeitamente bem; faltava-lhe uma única coisa - a a ventura. Entrar no desconhecido fá-lo vibrar. O coração começa novamente a pulsar, você está novamente vivo, plenamente vivo..."
Numa das palestras do filósofo indiano que dá o título a este post, reunidas em livro sobre o título "Coragem", afirmou o seguinte:
"Coragem significa entrar no desconhecido, apesar de todos os medos. Coragem não significa temeridade. A temeridade acontece se você continuar a ser cada vez mais corajoso. Essa é a experiência última da coragem - a temeridade: é essa a fragrância quando a coragem se tornou absoluta (...) ao princípio não há grande diferença entre o cobarde e a pessoa corajosa. A única diferença é que o cobarde escuta os seus medos e segue-os, e a pessoa corajosa afasta-os e segue em frente.(...) entra no desconhecido apesar de todos os medos. Ela conhece os medos, os medos estão lá.(...) Estava perfeitamente bem; faltava-lhe uma única coisa - a a ventura. Entrar no desconhecido fá-lo vibrar. O coração começa novamente a pulsar, você está novamente vivo, plenamente vivo..."
29 de janeiro de 2004
WHERE'S MY BLEDINE?
A geração de pais cinquentenários queixa-se à boca cheia desta nova geração maioritariamente constituída por meninos e meninas que esperam que tudo lhes caia no colo. Têm razão. Mas são os mesmos que se queixam de que o Estado (ou seja, o Governo - já que ninguém lhes explicou que o Estado é constituído por eles e por nós todos) não lhes DÁ o suficiente para cobrir todos os seus encargos. No outro dia, numa manifestação, um Auxiliar de Acção Educativa, vulgo, Contínuo, vulgo Não-Mexo-Uma-Palha, afirmava lacrimoso "ter que trabalhar em biscates fora das horas de serviço (!!!) para dar conta dos seus múltiplos encargos". Calculo que não existiria por perto uma boa alma para lhe perguntar se alguém o tinha OBRIGADO a contraír esses encargos. E por que raio os restantes 10 milhões de indivíduos o deveriam subsidiar.
Num país em que a Igreja Católica continua a afirmar ufana que a maior parte das pessoas se casam e procriam no seu seio, é estranho andar toda a gente a chamar pelo Pai...
A geração de pais cinquentenários queixa-se à boca cheia desta nova geração maioritariamente constituída por meninos e meninas que esperam que tudo lhes caia no colo. Têm razão. Mas são os mesmos que se queixam de que o Estado (ou seja, o Governo - já que ninguém lhes explicou que o Estado é constituído por eles e por nós todos) não lhes DÁ o suficiente para cobrir todos os seus encargos. No outro dia, numa manifestação, um Auxiliar de Acção Educativa, vulgo, Contínuo, vulgo Não-Mexo-Uma-Palha, afirmava lacrimoso "ter que trabalhar em biscates fora das horas de serviço (!!!) para dar conta dos seus múltiplos encargos". Calculo que não existiria por perto uma boa alma para lhe perguntar se alguém o tinha OBRIGADO a contraír esses encargos. E por que raio os restantes 10 milhões de indivíduos o deveriam subsidiar.
Num país em que a Igreja Católica continua a afirmar ufana que a maior parte das pessoas se casam e procriam no seu seio, é estranho andar toda a gente a chamar pelo Pai...
28 de janeiro de 2004
MUSEUS
Os nossos museus continuam muito antigos. Renova-se a forma de expor e de iluminar, mas permanecem alguns desconchavos crónicos. E não estou a falar só das senhoras e senhores pré-reformados que se sentam nas cadeirinhas com ar aborrecido. Falo dos detalhes que transmitem uma imagem moderna e atraente para as gerações mais vivas.
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O museu dos coches, por exemplo, onde estive este fim-de-semana, que tem um espólio riquíssimo (cada veículo é mais espectacular que outro, lembrando-nos que o D. João V poderá ter sido um esbanjador, mas que magnífico esbanjador ele foi...), e que proíbe fotos no seu interior, tem para venda, alguns dos mais piolhosos postais de que tenho memória. Chega a ter fotos quadradas, onde por virtude da retangulação do postal se acrescentaram lados brancos... Fotos pindéricas que sugerem a impressão clandestina de panfletos proibidos.
A colecção dos Jerónimos, não é melhor. Ali, contudo, já podemos encontrar alguns produtos de merchandising decentes, com uma colecção desenhada por um ateliê, colorida e com qualidade.
Ficamos sempre com a ideia que se estas instituições se esforçassem, poderiam ajudar a aliviar a factura da sua manutenção. A mesmíssima factura que os levou a ameaçarem com o fecho aos sábados e domingos, algum tempo atrás. Basta que apostem em nos tratarem bem enquanto visitantes e isso inclui uma loja com material didáctico e lúdico de boa qualidade.
Os nossos museus continuam muito antigos. Renova-se a forma de expor e de iluminar, mas permanecem alguns desconchavos crónicos. E não estou a falar só das senhoras e senhores pré-reformados que se sentam nas cadeirinhas com ar aborrecido. Falo dos detalhes que transmitem uma imagem moderna e atraente para as gerações mais vivas.
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O museu dos coches, por exemplo, onde estive este fim-de-semana, que tem um espólio riquíssimo (cada veículo é mais espectacular que outro, lembrando-nos que o D. João V poderá ter sido um esbanjador, mas que magnífico esbanjador ele foi...), e que proíbe fotos no seu interior, tem para venda, alguns dos mais piolhosos postais de que tenho memória. Chega a ter fotos quadradas, onde por virtude da retangulação do postal se acrescentaram lados brancos... Fotos pindéricas que sugerem a impressão clandestina de panfletos proibidos.
A colecção dos Jerónimos, não é melhor. Ali, contudo, já podemos encontrar alguns produtos de merchandising decentes, com uma colecção desenhada por um ateliê, colorida e com qualidade.
Ficamos sempre com a ideia que se estas instituições se esforçassem, poderiam ajudar a aliviar a factura da sua manutenção. A mesmíssima factura que os levou a ameaçarem com o fecho aos sábados e domingos, algum tempo atrás. Basta que apostem em nos tratarem bem enquanto visitantes e isso inclui uma loja com material didáctico e lúdico de boa qualidade.
OLÁ AMIGUINHOS, TOMEM LÁ UM KONIEC
O Francisco Nunes refere e bem que muito tínhamos nós de aturar ao Vasco Granja para termos direito a um Bugs Bunny ou um breve Speedy Gonzalez. As secas do National Film Boring of Canada que não tivemos de sofrer, irmanadas na tortura por lendas do mundo contadas em sombras chinesas animadas! Ainda tremo ao pensar naqueles Kama-sutras que sem exercer aquilo que poderia eventualmente despertar algum interesse, nos "aborriam" de morte...
Acontece que o Vasco Granja tinha um espaço para gerir. Onde, segundo creio, podia meter a animação que entendesse. E ele, naturalmente preferia o Norman McLaren aos autores do Tom e Jerry. A confusão derivava da forma como o programa era embrulhado, como um produto infantil. E lá ficávamos nós, as crianças da pouca escolha, à espera que ele se cansasse de ouvir falar polaco ou canadiano.
Nunca se cansou, raios o partam! A intenção era capaz de ter sido pedagógica, contudo...
O Francisco Nunes refere e bem que muito tínhamos nós de aturar ao Vasco Granja para termos direito a um Bugs Bunny ou um breve Speedy Gonzalez. As secas do National Film Boring of Canada que não tivemos de sofrer, irmanadas na tortura por lendas do mundo contadas em sombras chinesas animadas! Ainda tremo ao pensar naqueles Kama-sutras que sem exercer aquilo que poderia eventualmente despertar algum interesse, nos "aborriam" de morte...
Acontece que o Vasco Granja tinha um espaço para gerir. Onde, segundo creio, podia meter a animação que entendesse. E ele, naturalmente preferia o Norman McLaren aos autores do Tom e Jerry. A confusão derivava da forma como o programa era embrulhado, como um produto infantil. E lá ficávamos nós, as crianças da pouca escolha, à espera que ele se cansasse de ouvir falar polaco ou canadiano.
Nunca se cansou, raios o partam! A intenção era capaz de ter sido pedagógica, contudo...
27 de janeiro de 2004
PING!PING!ping...
Os campos hão-de estar contentes. Muita águinha em cima das couves e das searas.... Os sapos também coaxarão, felizes, por certo, com as cabecinhas viscosas viradas para o céu cinzento.
Agora o pessoal que está aqui, a sofrer no meio do cimento, é que dispensava esta abundância pluvial. Só espero que o Santana Lopes vá depressa numa das suas viagens sociais a Londres, ou assim, e um colega bem vestido lhe confidencie que se comercializa uma máquina que faz parar a chuva nas capitais mais in...
Enquanto isso não chega, lá vou despachando as desgraças quotidianas que parecem vir sempre agarradas às nuvens... (suspiro) (bem-humorado, contudo)
Os campos hão-de estar contentes. Muita águinha em cima das couves e das searas.... Os sapos também coaxarão, felizes, por certo, com as cabecinhas viscosas viradas para o céu cinzento.
Agora o pessoal que está aqui, a sofrer no meio do cimento, é que dispensava esta abundância pluvial. Só espero que o Santana Lopes vá depressa numa das suas viagens sociais a Londres, ou assim, e um colega bem vestido lhe confidencie que se comercializa uma máquina que faz parar a chuva nas capitais mais in...
Enquanto isso não chega, lá vou despachando as desgraças quotidianas que parecem vir sempre agarradas às nuvens... (suspiro) (bem-humorado, contudo)
25 de janeiro de 2004
STANDING OVATION
Vou menos vezes ao teatro do que gostaria. Daí que tenha levado algum tempo a aperceber-me do comportamento das novas plateias. Não me refiro ao hábito recentemente desenvolvido de rir DE TUDO o que os actores dizem (o que, segundo alguns me confidenciaram, os deixa exasperados). Refiro-me ao Aplauso em Pé.
Num passado recente, as pessoas aplaudiam o final das peças sentadas. Se a coisa tivesse valido a pena, mantinham os aplausos e os actores regressavam ao palco para agradecerem. E EM CASOS EXCEPCIONAIS, o público levantava-se e aplaudia de pé. Era a sua forma de dizer obrigado a qualquer coisa de muito bom.
Agora, não.
O maralhal começa por aplaudir de pé. E depois, mal a coisa esmorece, atropelam-se para a saída. A despachar. Como quem diz "Ya, Ya, foi fixe... Agora se me dás licença vou ali e já venho...".
Enfim...
Vou menos vezes ao teatro do que gostaria. Daí que tenha levado algum tempo a aperceber-me do comportamento das novas plateias. Não me refiro ao hábito recentemente desenvolvido de rir DE TUDO o que os actores dizem (o que, segundo alguns me confidenciaram, os deixa exasperados). Refiro-me ao Aplauso em Pé.
Num passado recente, as pessoas aplaudiam o final das peças sentadas. Se a coisa tivesse valido a pena, mantinham os aplausos e os actores regressavam ao palco para agradecerem. E EM CASOS EXCEPCIONAIS, o público levantava-se e aplaudia de pé. Era a sua forma de dizer obrigado a qualquer coisa de muito bom.
Agora, não.
O maralhal começa por aplaudir de pé. E depois, mal a coisa esmorece, atropelam-se para a saída. A despachar. Como quem diz "Ya, Ya, foi fixe... Agora se me dás licença vou ali e já venho...".
Enfim...
24 de janeiro de 2004
JOUR DE FÊTE
Ao contrário dos 10% que o Governo costuma anunciar, esta greve da função pública deve ter tido uma adesão muitíssimo superior. A caminho do Sul encontrei centenas de indignados trabalhadores que arrastavam atrás dos carros, os botes de borracha com motor, a caminho das barragens. Outros iam virando para as estradas secundárias, para protestarem na calmaria dos montes alentejanos o absurdo de não serem de novo aumentados.
Na Tsf, uma sindicalista defendia várias coisas, a saber, "que nem estavam contra o congelamento dos aumentos, ou contra a necessidade de reestruturação dos serviços, ou outra coisa qualquer... O que achava insuportável era que não os tivessem consultado A ELES, sindicatos, para que as aprovassem...
Uma trabalhadora próxima confidenciou-me que não achava que a greve servisse para qualquer coisa. Mas como todas as suas colegas tinham feito, caso ela tivesse dio trabalhar teria de alombar com o serviço todo, além das reclamações dos utentes. Daí que, no seu local de trabalho a adesão tenha sido total.
Enfim, cada um saberá de si...
Carris - em greve desde 1911
Ao contrário dos 10% que o Governo costuma anunciar, esta greve da função pública deve ter tido uma adesão muitíssimo superior. A caminho do Sul encontrei centenas de indignados trabalhadores que arrastavam atrás dos carros, os botes de borracha com motor, a caminho das barragens. Outros iam virando para as estradas secundárias, para protestarem na calmaria dos montes alentejanos o absurdo de não serem de novo aumentados.
Na Tsf, uma sindicalista defendia várias coisas, a saber, "que nem estavam contra o congelamento dos aumentos, ou contra a necessidade de reestruturação dos serviços, ou outra coisa qualquer... O que achava insuportável era que não os tivessem consultado A ELES, sindicatos, para que as aprovassem...
Uma trabalhadora próxima confidenciou-me que não achava que a greve servisse para qualquer coisa. Mas como todas as suas colegas tinham feito, caso ela tivesse dio trabalhar teria de alombar com o serviço todo, além das reclamações dos utentes. Daí que, no seu local de trabalho a adesão tenha sido total.
Enfim, cada um saberá de si...
Carris - em greve desde 1911
22 de janeiro de 2004
LER É MAÇADA, ESCREVER É NADA...
Hoje lembrei-me da conversa mantida em baixo sobre a necessidade de separar o ensino da Língua do da Literatura. Na Nobre tentativa de evitar o aviltamento das duas...
Um responsável (ainda jovem) de um jornal expressou-me com vigor o horror que sentia perante a visão de duas (2) páginas de ficção impressas numa revista. "Ninguém quer ler 7000 caracteres de ficção". Eu concordei, resignado, já que por "ninguém" ele queria dizer "a maioria dos portugueses".
Escusava era de ter comentado com algum respeitinho que "X, desde que apareceu num programa ao lado do Saramago, passou a ser considerado como um peso literário". Afirmou isto, não porque achasse a escrita do referido autor interessante, ou sequer pelo facto de o ter lido. Não: "Apareceu (verbo mágico, em 2004) ao lado de... então...".
Começo a dar razão ao desconsolo furioso do Mário de Carvalho...
Tirem-me deste filme.
Hoje lembrei-me da conversa mantida em baixo sobre a necessidade de separar o ensino da Língua do da Literatura. Na Nobre tentativa de evitar o aviltamento das duas...
Um responsável (ainda jovem) de um jornal expressou-me com vigor o horror que sentia perante a visão de duas (2) páginas de ficção impressas numa revista. "Ninguém quer ler 7000 caracteres de ficção". Eu concordei, resignado, já que por "ninguém" ele queria dizer "a maioria dos portugueses".
Escusava era de ter comentado com algum respeitinho que "X, desde que apareceu num programa ao lado do Saramago, passou a ser considerado como um peso literário". Afirmou isto, não porque achasse a escrita do referido autor interessante, ou sequer pelo facto de o ter lido. Não: "Apareceu (verbo mágico, em 2004) ao lado de... então...".
Começo a dar razão ao desconsolo furioso do Mário de Carvalho...
Tirem-me deste filme.
20 de janeiro de 2004
TO THINK OR NOT TO THINK
Segundo os mentideros , o primeiro-ministro estará de acordo com a despenalização do aborto... em 2006. O que é uma coisa maravilhosa. Saber o que vamos achar DAQUI A 2 ANOS é um acto verdadeiramente visionário. Quem me dera. Já me estou a imaginar a pensar: "Em 2012 vou passar a gostar de caviar", porém... "em 2013 vou achar que me faz gases".
O nosso Primeiro é a taróloga Maria Helena das opiniões. Continue assim, meu anjo!
Segundo os mentideros , o primeiro-ministro estará de acordo com a despenalização do aborto... em 2006. O que é uma coisa maravilhosa. Saber o que vamos achar DAQUI A 2 ANOS é um acto verdadeiramente visionário. Quem me dera. Já me estou a imaginar a pensar: "Em 2012 vou passar a gostar de caviar", porém... "em 2013 vou achar que me faz gases".
O nosso Primeiro é a taróloga Maria Helena das opiniões. Continue assim, meu anjo!
18 de janeiro de 2004
PAPA DIXIT
O Papa lá levantou a cabeça para murmurar que até não lhe parecia mal que os deficientes tivessem sexo.
A sua próxima medida consiste em afirmar que aquilo que os meninos acólitos trazem pendurado não é um incensório, apelando aos milhares de padres que insistem em o moverem repetidamente de trás para a frente dizendo, "Ai, Meu Deus! Nossa Senhora que Bom!", que parem de o fazer. Ou pelo menos, tão amiúde...
Se não fossem estas intervenções, nem sei como orientaríamos as nossas vidas.
O Papa lá levantou a cabeça para murmurar que até não lhe parecia mal que os deficientes tivessem sexo.
A sua próxima medida consiste em afirmar que aquilo que os meninos acólitos trazem pendurado não é um incensório, apelando aos milhares de padres que insistem em o moverem repetidamente de trás para a frente dizendo, "Ai, Meu Deus! Nossa Senhora que Bom!", que parem de o fazer. Ou pelo menos, tão amiúde...
Se não fossem estas intervenções, nem sei como orientaríamos as nossas vidas.
Notícias do PBI (Portuguese Bureau of Investigation)
Na vaga de moralização que varre o país, parece que foram acusados alguns médicos de desviarem clientes das eternas listas de espera para as clínicas privadas. NÃO...!!! Estou chocado. Uma coisa nunca vista. E até mesmo impensável. Médicos que usem os gabinetes hospitalares como sala de demonstração do que eles SÃO CAPAZES DE FAZER no seu próprio consultório, é coisa que nunca aconteceu. Tenho a certeza.
Aliás, as histórias que me chegam sempre que me afasto deste centro neurótico a que chamamos Capital (alguns chamam-lhe Kapital, é certo...) são todas falsas.
Tão falsas como a história das ligações aos laboratórios. Não senhor, nem pensar...!
Na vaga de moralização que varre o país, parece que foram acusados alguns médicos de desviarem clientes das eternas listas de espera para as clínicas privadas. NÃO...!!! Estou chocado. Uma coisa nunca vista. E até mesmo impensável. Médicos que usem os gabinetes hospitalares como sala de demonstração do que eles SÃO CAPAZES DE FAZER no seu próprio consultório, é coisa que nunca aconteceu. Tenho a certeza.
Aliás, as histórias que me chegam sempre que me afasto deste centro neurótico a que chamamos Capital (alguns chamam-lhe Kapital, é certo...) são todas falsas.
Tão falsas como a história das ligações aos laboratórios. Não senhor, nem pensar...!
BULLY
Para os mais distraídos (e que tenham acesso aos cinemas onde passa, já que isto das recomendações é muito giro, mas quando se mora em Penacova é difícil aceder aos ciclos do cinema King...) está aí o novo filme de Larry Clark. O mesmo que fez o "Ken Park" (de que encontram referência algures nos arquivos do blogue). Como sempre, o realizador deixa-nos atordoado com o vazio que encontramos na cabeça das suas personagens. Vazio e dor. Pressão e ausência dos pais. Asneira certa, a que se segue a impiedosa "Justiça" americana com o seu arsenal de prisões perpétuas em resmas e cadeiras eléctricas para os cidadãos que não conseguiu manter compensados. Uma América tocada a charros e pastilhas, acelerada e simultaneamente à espera. Do seu fim, provavelmente.
Para os mais distraídos (e que tenham acesso aos cinemas onde passa, já que isto das recomendações é muito giro, mas quando se mora em Penacova é difícil aceder aos ciclos do cinema King...) está aí o novo filme de Larry Clark. O mesmo que fez o "Ken Park" (de que encontram referência algures nos arquivos do blogue). Como sempre, o realizador deixa-nos atordoado com o vazio que encontramos na cabeça das suas personagens. Vazio e dor. Pressão e ausência dos pais. Asneira certa, a que se segue a impiedosa "Justiça" americana com o seu arsenal de prisões perpétuas em resmas e cadeiras eléctricas para os cidadãos que não conseguiu manter compensados. Uma América tocada a charros e pastilhas, acelerada e simultaneamente à espera. Do seu fim, provavelmente.
LER NA ESCOLA
Arrisco-me a ficar repetitivo. Mas ao ver aquela professora de português (ainda não fixei o nome) a bater-se pela literatura no ensino, sinto-me na obrigação de voltar à carga.
Já afirmei várias vezes que considero o modelo de escola como insistimos em manter no nosso país como acabado. Não resulta. Já não resulta. A desresponsabilização dos pais e o desaparecimento da figura tutelar, bem como o fluxo de informação fragmentada, conduziu a gerações tão à solta que não se lhes pode pedir que fiquem sentadas a escutar com enlevo. Sobretudo não se pode pedir aos professores que OBRIGUEM esta gente a ouvir, quando o modelo que trazem de casa é outro. Um professor conduz ao conhecimento. Poderia conduzir ao "saber estar", se os programas incidissem prioritariamente sobre o assunto, nos primeiros anos mas não o pode fazer, quando tem de chegar ao final das convulsões novecentistas, fazer-se ouvir por cima dos sinais de mensagens e puxar ao mesmo tempo as criaturas do fundo acnoso onde caíram. Outra escola, virada para o desenvolvimento de competências intrapessoais e interpessoais poderia fazê-lo. Esta, não. Contudo, como ninguém parece estar interessado em mudar as coisas radicalmente, talvez possamos falar sobre os programas actuais.
A professora tem razão: os programas de português foram feitos por pessoas que não gostam de Literatura. Ou, pelo menos, não lhe avistam outra coisa que o lado prático, para transmitir o que diabo é uma metonímia ou outra coisa qualquer com nome de xarope para tosse.
Enquanto escritor, protesto! Não escrevo livros para que gente que não faz ideia do que é viver por umas horas ou dias na pele de uma personagem diferente de nós, me conspurque as frases obtidas a ferros com divisão de orações. Nem mesmo para os que entendem, mas que por razões úteis são forçados a lidar com estes manuais. Merda para as orações sobre as frases feitas para serem "escutadas". Sobre as frases feitas para abrir as portas do mundo. Sobre aquilo que existe para ser partilhado como um prazer. Merda para os determinantes e para as figuras de estilo, para a conjugação verbal e para todas as teorias (ultrapassadas em todo o mundo, excepto no Bangladesh) que tentam impingir às criancinhas. Façam-no sobre o que quiserem, mas sobre a Literatura, não! A Literatura lê-se. Não se impinge como prontuário.
Na verdade, trata-se apenas de uma questão de bom senso. Redigir textos puramente utilitários para explicar o funcionamento da língua não é complicado. Custa mais caro do que "picar" os textos dos escritores (que não vêem um cêntimo dos milhões de euros que engordam as editoras escolares) mas seria mais funcional.
Se os ministérios não estivessem cheios de damas incompetentes e funcionários que subiram a golpes mesquinhos na carreira, dirigidos por políticos que foram para a educação porque não eram suficientemente interessantes para a chegarem à Economia ou às Finanças, onde o poder se joga verdadeiramente, isto seria uma EVIDÊNCIA.
Já para não falar na razão porque continuamos a atormentar gerações inteiras com autores mortos, alguns de discutível qualidade literária, enquanto a noção de contemporaneidade começa em Agustina (que tem 80 ANOS!). Na vizinha Galiza, os livros de escritores recentes são lidos e discutidos, num diálogo vivo com os autores. Aqui não. Tomem lá com o Herculano... e descubram o Sintagma Nominal...
Oh, valha-me Deus...
Arrisco-me a ficar repetitivo. Mas ao ver aquela professora de português (ainda não fixei o nome) a bater-se pela literatura no ensino, sinto-me na obrigação de voltar à carga.
Já afirmei várias vezes que considero o modelo de escola como insistimos em manter no nosso país como acabado. Não resulta. Já não resulta. A desresponsabilização dos pais e o desaparecimento da figura tutelar, bem como o fluxo de informação fragmentada, conduziu a gerações tão à solta que não se lhes pode pedir que fiquem sentadas a escutar com enlevo. Sobretudo não se pode pedir aos professores que OBRIGUEM esta gente a ouvir, quando o modelo que trazem de casa é outro. Um professor conduz ao conhecimento. Poderia conduzir ao "saber estar", se os programas incidissem prioritariamente sobre o assunto, nos primeiros anos mas não o pode fazer, quando tem de chegar ao final das convulsões novecentistas, fazer-se ouvir por cima dos sinais de mensagens e puxar ao mesmo tempo as criaturas do fundo acnoso onde caíram. Outra escola, virada para o desenvolvimento de competências intrapessoais e interpessoais poderia fazê-lo. Esta, não. Contudo, como ninguém parece estar interessado em mudar as coisas radicalmente, talvez possamos falar sobre os programas actuais.
A professora tem razão: os programas de português foram feitos por pessoas que não gostam de Literatura. Ou, pelo menos, não lhe avistam outra coisa que o lado prático, para transmitir o que diabo é uma metonímia ou outra coisa qualquer com nome de xarope para tosse.
Enquanto escritor, protesto! Não escrevo livros para que gente que não faz ideia do que é viver por umas horas ou dias na pele de uma personagem diferente de nós, me conspurque as frases obtidas a ferros com divisão de orações. Nem mesmo para os que entendem, mas que por razões úteis são forçados a lidar com estes manuais. Merda para as orações sobre as frases feitas para serem "escutadas". Sobre as frases feitas para abrir as portas do mundo. Sobre aquilo que existe para ser partilhado como um prazer. Merda para os determinantes e para as figuras de estilo, para a conjugação verbal e para todas as teorias (ultrapassadas em todo o mundo, excepto no Bangladesh) que tentam impingir às criancinhas. Façam-no sobre o que quiserem, mas sobre a Literatura, não! A Literatura lê-se. Não se impinge como prontuário.
Na verdade, trata-se apenas de uma questão de bom senso. Redigir textos puramente utilitários para explicar o funcionamento da língua não é complicado. Custa mais caro do que "picar" os textos dos escritores (que não vêem um cêntimo dos milhões de euros que engordam as editoras escolares) mas seria mais funcional.
Se os ministérios não estivessem cheios de damas incompetentes e funcionários que subiram a golpes mesquinhos na carreira, dirigidos por políticos que foram para a educação porque não eram suficientemente interessantes para a chegarem à Economia ou às Finanças, onde o poder se joga verdadeiramente, isto seria uma EVIDÊNCIA.
Já para não falar na razão porque continuamos a atormentar gerações inteiras com autores mortos, alguns de discutível qualidade literária, enquanto a noção de contemporaneidade começa em Agustina (que tem 80 ANOS!). Na vizinha Galiza, os livros de escritores recentes são lidos e discutidos, num diálogo vivo com os autores. Aqui não. Tomem lá com o Herculano... e descubram o Sintagma Nominal...
Oh, valha-me Deus...
OS ELOGIOS
Toca o telefone no domingo à tarde. O número desconhecido era de um conhecido que se queria manifestar solidário e agradado como o que eu tinha escrito num jornal.
Fiquei à toa, com aqueles mmm, mmmm, de quem não sabe o que responder. O mesmo que aparece quando alguém se levanta da assistência, no fim de uma sessão ou encontro ocasional, para afirmar que lê com agrado o que vou modelando nas minhas histórias...
Vivemos numa sociedade tão estúpida que já nem sabemos lidar com o elogio desinteressado. Aquele que não nos pedirá promoção no emprego, livro recomendado à editora ou uma boa nota no fim do ano.
Talvez seja tempo de começarmos a demonstrar aos outros que achamos haver coisas que eles fazem bem feitas. Digo eu...
Toca o telefone no domingo à tarde. O número desconhecido era de um conhecido que se queria manifestar solidário e agradado como o que eu tinha escrito num jornal.
Fiquei à toa, com aqueles mmm, mmmm, de quem não sabe o que responder. O mesmo que aparece quando alguém se levanta da assistência, no fim de uma sessão ou encontro ocasional, para afirmar que lê com agrado o que vou modelando nas minhas histórias...
Vivemos numa sociedade tão estúpida que já nem sabemos lidar com o elogio desinteressado. Aquele que não nos pedirá promoção no emprego, livro recomendado à editora ou uma boa nota no fim do ano.
Talvez seja tempo de começarmos a demonstrar aos outros que achamos haver coisas que eles fazem bem feitas. Digo eu...
14 de janeiro de 2004
O DN ERROU
Ninguém me pediu para fazer isto, mas gostaria de corrigir uma gralha publicada na edição de hoje do Diário de Notícias. Na notícia referente ao glamoroso sucesso do lançamento do livro de Pedro Santana Lopes e dos seus feitos culturais (a pala do Sporting, o concerto para violinos de Chopin, os agradecimentos ao Machado de Assis, esse grande contemporâneo brasileiro...), cita o referido intelectual da seguinte forma: "«Deve olhar-se para o País como um todo», declarou ainda o autarca".
Naturalmente que o que Santana Lopes disse foi: "Deve olhar-se o país como um TOLO".
Ninguém me pediu para fazer isto, mas gostaria de corrigir uma gralha publicada na edição de hoje do Diário de Notícias. Na notícia referente ao glamoroso sucesso do lançamento do livro de Pedro Santana Lopes e dos seus feitos culturais (a pala do Sporting, o concerto para violinos de Chopin, os agradecimentos ao Machado de Assis, esse grande contemporâneo brasileiro...), cita o referido intelectual da seguinte forma: "«Deve olhar-se para o País como um todo», declarou ainda o autarca".
Naturalmente que o que Santana Lopes disse foi: "Deve olhar-se o país como um TOLO".
“a velhice desce sobre nós
manta de pó
sufocante e húmida
entranha-se
frente à montra
do centro comercial
onde edificámos as vidas
e os ursos
de peluche e as roupas da moda
como não? - da moda, sim -
e os adereços de contas
alegres sombrios
cobrem-se dessas partículas
brancas
que lhes retiram a cintilação
a pouco e pouco
a manta cai sobre nós surpreendida
e estrebuchamos e estrebuchamos para
no Fim
a ajeitarmos a nós fria
e adormecermos
feridos como pássaros abatidos em voo”
jk
manta de pó
sufocante e húmida
entranha-se
frente à montra
do centro comercial
onde edificámos as vidas
e os ursos
de peluche e as roupas da moda
como não? - da moda, sim -
e os adereços de contas
alegres sombrios
cobrem-se dessas partículas
brancas
que lhes retiram a cintilação
a pouco e pouco
a manta cai sobre nós surpreendida
e estrebuchamos e estrebuchamos para
no Fim
a ajeitarmos a nós fria
e adormecermos
feridos como pássaros abatidos em voo”
jk
13 de janeiro de 2004
MISTÉRIOS
Alguém me explica por que é que nos "debates" televisivos sobre a alteração à lei da criminalização do aborto, aparecem sempre mulheres educadas de classe média a pugnar pela mudança e homens de classe média-alta contra?
(este manhã na sic notícias, as produtoras foram cruéis: meteram uma mulher bonita e sensata a defender novo referendo e do lado da oposição um idiota. Repito, não era um homem, era um idiota de gravata púrpura - em sentido restrito, leia-se)...
Era mais ou menos isto... mas com som.
Alguém me explica por que é que nos "debates" televisivos sobre a alteração à lei da criminalização do aborto, aparecem sempre mulheres educadas de classe média a pugnar pela mudança e homens de classe média-alta contra?
(este manhã na sic notícias, as produtoras foram cruéis: meteram uma mulher bonita e sensata a defender novo referendo e do lado da oposição um idiota. Repito, não era um homem, era um idiota de gravata púrpura - em sentido restrito, leia-se)...
Era mais ou menos isto... mas com som.
12 de janeiro de 2004
11 de janeiro de 2004
LITERATURA ESCOLAR
Ao ajudar a prole no tpc de português, encalho num texto da Luisa Dacosta. Coisa misteriosa, cheia de imagens e metáforas tão obscuras que tive de apelar à licenciatura em letras para descodificar. Graça e interesse não tinha nenhuns, mas ele lá estava, no que deveria ser um momento de "prazer de leitura e descoberta". Ponho-me na pele dos miúdos, mesmo dos que têm a sorte de serem sensibilizados em casa para os livros e dá-me vontade de fugir. É espantoso o entendimento que os organizadores de livros escolares têm de "Literatura Infantil". Julgo que será qualquer coisa como "objecto obscuro, porém poético, em que a presença de nuvens, crianças ou bichos inteligentes é obrigatória". Ou seja, não percebem um boi do que é um bom livro infantil. No que não estão sozinhos. Nunca vi um país em que se alimentasse as crianças com tanto lixo poético como este. Falam das "margaridas"? Deveriam ver quantas "margaridas" não foçam no meia de ilustrações frequentemente boas...
ps: Cito o texto dessa autora, mas muitos outros o acompanham. Ou não fosse verdadeiro o ditado sobre o medo da solidão das desgraças...
Ao ajudar a prole no tpc de português, encalho num texto da Luisa Dacosta. Coisa misteriosa, cheia de imagens e metáforas tão obscuras que tive de apelar à licenciatura em letras para descodificar. Graça e interesse não tinha nenhuns, mas ele lá estava, no que deveria ser um momento de "prazer de leitura e descoberta". Ponho-me na pele dos miúdos, mesmo dos que têm a sorte de serem sensibilizados em casa para os livros e dá-me vontade de fugir. É espantoso o entendimento que os organizadores de livros escolares têm de "Literatura Infantil". Julgo que será qualquer coisa como "objecto obscuro, porém poético, em que a presença de nuvens, crianças ou bichos inteligentes é obrigatória". Ou seja, não percebem um boi do que é um bom livro infantil. No que não estão sozinhos. Nunca vi um país em que se alimentasse as crianças com tanto lixo poético como este. Falam das "margaridas"? Deveriam ver quantas "margaridas" não foçam no meia de ilustrações frequentemente boas...
ps: Cito o texto dessa autora, mas muitos outros o acompanham. Ou não fosse verdadeiro o ditado sobre o medo da solidão das desgraças...
SMOKE NOT SMOKE
Aborrece-me dizer isto aos meus amigos que fumam como chaminés, mas um dia destes mesmo no portuguesinho burgo teremos de mudar de comportamento. Não é possível continuar a almoçar em lugares públicos rodeado de famílias, crianças, comida e o fumo de dezenas de cigarros vizinhos. Não é possível continuar a ver passar em carros fechados pais de cigarro na boca, os filhos amarrados (quando estão) no banco de trás e depois ouvi-los protestar contra os perigos da sociedade moderna. Um dia teremos de enfrentar esta coisa tão simples que consiste no facto de uma minoria (30% da população portuguesa, segundo as últimas estatísticas - sendo a maioria mulheres jovens entre os 15 e os 35) forçar a maioria a partilhar da sua depedência. Lamento, mas mesmos os políticos que sabem exactamente o lucro que dão os impostos sobre o tabaco, e o prazer/remédio-anti-stress do mesmo, terão de meter a mão na consciência.
Não se trata de discutir a Coisa. A Coisa é o que é. Houve um tempo para fumar em toda a parte que acabou. Ponto.
Aborrece-me dizer isto aos meus amigos que fumam como chaminés, mas um dia destes mesmo no portuguesinho burgo teremos de mudar de comportamento. Não é possível continuar a almoçar em lugares públicos rodeado de famílias, crianças, comida e o fumo de dezenas de cigarros vizinhos. Não é possível continuar a ver passar em carros fechados pais de cigarro na boca, os filhos amarrados (quando estão) no banco de trás e depois ouvi-los protestar contra os perigos da sociedade moderna. Um dia teremos de enfrentar esta coisa tão simples que consiste no facto de uma minoria (30% da população portuguesa, segundo as últimas estatísticas - sendo a maioria mulheres jovens entre os 15 e os 35) forçar a maioria a partilhar da sua depedência. Lamento, mas mesmos os políticos que sabem exactamente o lucro que dão os impostos sobre o tabaco, e o prazer/remédio-anti-stress do mesmo, terão de meter a mão na consciência.
Não se trata de discutir a Coisa. A Coisa é o que é. Houve um tempo para fumar em toda a parte que acabou. Ponto.
8 de janeiro de 2004
CRÓNICA DOS DIAS QUE PASSAM
Bastaria olhar para um dos nossos dias para compreender o sentido da vida. As horas boas, as más. A alegria simples e a tristeza inesperada. O contentamento da descoberta e a frustração da perda. A irritação contra as pequenas coisas e a piedade universal pelas coisas do mundo.
Se isto não fala connosco então é porque andamos com os olhos colados às biqueiras dos sapatos.
Bastaria olhar para um dos nossos dias para compreender o sentido da vida. As horas boas, as más. A alegria simples e a tristeza inesperada. O contentamento da descoberta e a frustração da perda. A irritação contra as pequenas coisas e a piedade universal pelas coisas do mundo.
Se isto não fala connosco então é porque andamos com os olhos colados às biqueiras dos sapatos.
7 de janeiro de 2004
LISBOA COM NUVENS
Hoje andava quase tudo maldisposto na cidade. Nos restaurantes os criados atiravam com as ementas para cima das mesas, nas lojas as velhas donas berravam que não queriam os .60 ct (de facilitação de trocos) para nada, e na paragem dos autocarros os utentes davam razão ao desconsolado sindicalista que ontem se queixava que "os passageiros estão a sofrer uma campanha de desinformação sobre a greve", daí andarem chateados como o facto de quase todos os dias haver uma.
Deve ser do tempo. Espero que no resto do país e do mundo (gentil aceno aos leitores ultramarinos e intercontinentais) as coisas tenham sido mais agradáveis.
ps: Irra! (desabafo, um pouco tardio, nem por isso menos sincero).
Hoje andava quase tudo maldisposto na cidade. Nos restaurantes os criados atiravam com as ementas para cima das mesas, nas lojas as velhas donas berravam que não queriam os .60 ct (de facilitação de trocos) para nada, e na paragem dos autocarros os utentes davam razão ao desconsolado sindicalista que ontem se queixava que "os passageiros estão a sofrer uma campanha de desinformação sobre a greve", daí andarem chateados como o facto de quase todos os dias haver uma.
Deve ser do tempo. Espero que no resto do país e do mundo (gentil aceno aos leitores ultramarinos e intercontinentais) as coisas tenham sido mais agradáveis.
ps: Irra! (desabafo, um pouco tardio, nem por isso menos sincero).
BOMBEIRADAS
Já tenho falado sobre o Centro Em Movimento. CEM, para os amigos, que são muitos. Já escrevi sobre este centro, em vários sítios. Para os que moram mais longe, ou têm andado distraídos nos últimos anos, informo que é uma Escola ao Contrário. Isto é, não se vai lá contrariado empinar coisas que não queremos. Vamos lá aprender (ou ensinar) o que nos apetece. E quase não se cobra por isso. E assim tem sido.
No 4º andar do prédio dos Bombeiros da Praça da Alegria, todo o dia e parte da noite, uma multidão que se reveza, dança, escreve, faz teatro. Em condições pobres como um circo. E ainda assim teima. E ainda assim todos os cursos estão cheios. Alguma razão haverá.
Ultimamente a bombeirada, que alugava a salinha de caca por uma fortuna (que imagino servirá para estourar nos eternos carapaus fritos com que empestam o prédio toda a semana, ou para comprarem mais cadeiras onde sentam os cus suficentemente ociosos, mudou de ideias. Querem a salinha de volta. Precisam de mais um espacito. Sabe Deus para quê e quanto custará ao erário público esse acréscimo de dolce fare niente...
E mais não digo, ou passará a ideia que eu acho as corporações de bombeiros portuguesas como grupos que se encontram em tascas decoradas a vermelho e com machadinhas, onde eles fogem à tagarelice das esposas. O que não é 100% verdade. No máximo, uns 90%.
Adiante. O que interessa é que a escola anda à procura de um novo espaço. Como as instituições públicas se estão a cagar para pessoas que manifestamente desprezam o lucro ou o pedinchar servil, lanço o apelo. Se souberem de algum espaço em Lisboa que possa receber este grupo de gente valorosa, não guardem segredo. Eles estão aqui. E nós estamos com eles.
Já tenho falado sobre o Centro Em Movimento. CEM, para os amigos, que são muitos. Já escrevi sobre este centro, em vários sítios. Para os que moram mais longe, ou têm andado distraídos nos últimos anos, informo que é uma Escola ao Contrário. Isto é, não se vai lá contrariado empinar coisas que não queremos. Vamos lá aprender (ou ensinar) o que nos apetece. E quase não se cobra por isso. E assim tem sido.
No 4º andar do prédio dos Bombeiros da Praça da Alegria, todo o dia e parte da noite, uma multidão que se reveza, dança, escreve, faz teatro. Em condições pobres como um circo. E ainda assim teima. E ainda assim todos os cursos estão cheios. Alguma razão haverá.
Ultimamente a bombeirada, que alugava a salinha de caca por uma fortuna (que imagino servirá para estourar nos eternos carapaus fritos com que empestam o prédio toda a semana, ou para comprarem mais cadeiras onde sentam os cus suficentemente ociosos, mudou de ideias. Querem a salinha de volta. Precisam de mais um espacito. Sabe Deus para quê e quanto custará ao erário público esse acréscimo de dolce fare niente...
E mais não digo, ou passará a ideia que eu acho as corporações de bombeiros portuguesas como grupos que se encontram em tascas decoradas a vermelho e com machadinhas, onde eles fogem à tagarelice das esposas. O que não é 100% verdade. No máximo, uns 90%.
Adiante. O que interessa é que a escola anda à procura de um novo espaço. Como as instituições públicas se estão a cagar para pessoas que manifestamente desprezam o lucro ou o pedinchar servil, lanço o apelo. Se souberem de algum espaço em Lisboa que possa receber este grupo de gente valorosa, não guardem segredo. Eles estão aqui. E nós estamos com eles.
5 de janeiro de 2004
CASTELO RODRIGO
Já o disse várias vezes: Portugal só poderá crescer de dentro para fora. D. Sebastião nunca mais vai voltar, por isso já era tempo de crescermos e começarmos a fazer em vez de lamentar.
Das Beiras, mais precisamente de Castelo Rodrigo, chega-me o convite e a notícia de um projecto ficcional. Algo que se pretende alargado e ao mesmo tempo sem soltar os pés do solo que lhe deu começo. Um abraço e votos de felicidades para os promotores do Cantinho. Sabendo que um canto é por definição, o Universo às avessas ;)
Já o disse várias vezes: Portugal só poderá crescer de dentro para fora. D. Sebastião nunca mais vai voltar, por isso já era tempo de crescermos e começarmos a fazer em vez de lamentar.
Das Beiras, mais precisamente de Castelo Rodrigo, chega-me o convite e a notícia de um projecto ficcional. Algo que se pretende alargado e ao mesmo tempo sem soltar os pés do solo que lhe deu começo. Um abraço e votos de felicidades para os promotores do Cantinho. Sabendo que um canto é por definição, o Universo às avessas ;)
DIZER BEM E MAL
Somos um país tão pequenino, tão pequenino, que nos assemelhamos muitas vezes a concorrentes do BB: 4 paredes, 10 milhões de moradores e milhares de câmaras. Daí que haja esta tendência para dizer primeiro as coisas que nos irritam nos outros. E só depois, eventualmente, enumerar as qualidades e confessar que temos muitas saudades sempre que "saímos da casa" (ou, como diria o Nando, vencedor de Corroios, "É assim, prontoz!").
Foi por isso que não mencionei antes o filme de Jim Sheridan, "In America". O trailer prometia uma obra brilhante e intimista. Quase que conseguia o segundo objectivo. Não fosse a objectiva ter-se deslumbrado com os postais de NY ou o guião pedir ao actor principal (Paddy Considine) que representasse algumas cenas para as quais - obviamente - não tinha arcaboiço e teria sido diferente. Ainda assim, arranca bem e tem algumas cenas com interesse.
ps: Por falar em arrancar, amanhã começa a "2" (estou ansioso pela novidade das entrevistas da Margarida M. de Melo...). Referi aqui que o magazine se chamaria "Index". Foi este o nome divulgado até há pouco tempo. Mas parece que se chamará... "Magazine". Seja lá o que for... Que venha melhor que o antecessor, é o que se pede. Ponto.
Somos um país tão pequenino, tão pequenino, que nos assemelhamos muitas vezes a concorrentes do BB: 4 paredes, 10 milhões de moradores e milhares de câmaras. Daí que haja esta tendência para dizer primeiro as coisas que nos irritam nos outros. E só depois, eventualmente, enumerar as qualidades e confessar que temos muitas saudades sempre que "saímos da casa" (ou, como diria o Nando, vencedor de Corroios, "É assim, prontoz!").
Foi por isso que não mencionei antes o filme de Jim Sheridan, "In America". O trailer prometia uma obra brilhante e intimista. Quase que conseguia o segundo objectivo. Não fosse a objectiva ter-se deslumbrado com os postais de NY ou o guião pedir ao actor principal (Paddy Considine) que representasse algumas cenas para as quais - obviamente - não tinha arcaboiço e teria sido diferente. Ainda assim, arranca bem e tem algumas cenas com interesse.
ps: Por falar em arrancar, amanhã começa a "2" (estou ansioso pela novidade das entrevistas da Margarida M. de Melo...). Referi aqui que o magazine se chamaria "Index". Foi este o nome divulgado até há pouco tempo. Mas parece que se chamará... "Magazine". Seja lá o que for... Que venha melhor que o antecessor, é o que se pede. Ponto.
3 de janeiro de 2004
E POR FALAR NO NOSSO SEMANÁRIO...
Uma das minhas páginas favoritas do suplemento "Actual" é a crónica de Pedro D'Anunciação. Há qualquer coisa que me vicia nesta proposta de comentário televisivo. Hesito entre as garbosas suíças e o apostrophe do "D' "...
Na sua prosa queirosiano-prosaica, deambula esta semana entre o tema "Sociedade Civil" (onde fala do "Dois") e a questão do Aborto. De salientar o momento de elogio ao programa da NTV (onde se prova que sou eu que tenho a televisão avariada, já que - ligue para lá a que horas ligar - levo com os inteligentes e nada arrogantes meninos do XPTO...) "Livro Aberto" da autoria de JOSÉ MANUEL Viegas.
Numa página chamada "zapping", percebe-se. Mudar de canais constantemente só nos pode deixar confusos...
Uma das minhas páginas favoritas do suplemento "Actual" é a crónica de Pedro D'Anunciação. Há qualquer coisa que me vicia nesta proposta de comentário televisivo. Hesito entre as garbosas suíças e o apostrophe do "D' "...
Na sua prosa queirosiano-prosaica, deambula esta semana entre o tema "Sociedade Civil" (onde fala do "Dois") e a questão do Aborto. De salientar o momento de elogio ao programa da NTV (onde se prova que sou eu que tenho a televisão avariada, já que - ligue para lá a que horas ligar - levo com os inteligentes e nada arrogantes meninos do XPTO...) "Livro Aberto" da autoria de JOSÉ MANUEL Viegas.
Numa página chamada "zapping", percebe-se. Mudar de canais constantemente só nos pode deixar confusos...
31 de dezembro de 2003
2003
Foi o ano de todos os sustos. O que todos sabíamos e ninguém falava começou a vir ao de cima. Mexeu-se no lodo e começámos todos a dar às pernas, aflitos, nas água da terra-mãe. Falar dói mais do que calar. Mudar dói mais do que ficar quieto (ou assim parece).
Muitos de nós sentimos a necessidade de controlo que se apoderou dos portugueses: é preciso controlar o défice, as baixas fraudulentas, a fuga aos impostos, o desafio à lei. Ou simplesmente à forma menos ortodoxa de trabalhar, no caso dos empregadores mais stressados...
Foi o ano em que foi necessário partir. As coisas instaladas. A Função Pública, ou pelo menos os sectores mais instalados dela, não voltará/ão a ser o reduto de malandros improdutivos que era pelo menos há quase 30 anos. Nunca mais (ou pelo menos nos tempos mais próximos) se poderá dizer: "entrei para o quadro já não preciso de trabalhar". Ou pelo menos assim o julga o piedoso Bagão Félix (ou nós julgamos que ele julga, que no que toca a pessoas com as costas quentes, seja da Igreja Católica, seja de outro lóbi qualquer, nunca se sabe onde acaba a verdade e começa a conveniência).
Este foi o ano do boom e morte de muitos blogues. O Prazer_Inculto nasceu a 1 de Março, e ainda por cá anda (pelo menos por mais uns tempos). Como podem ver pelo canto superior esquerdo, recebeu até hoje, mais de 30.000 visitas. Não é muito, comparado com os blogues obscenos ou com os políticos. Mas esse nunca foi o objectivo. Quem vier por bem continuará a ser bem-vindo. E aos mais fiéis, envio o abraço de alguém que se tem sentido contente por poder partilhar por um meio muito diferente dos livros as suas ideias e delas ter recebido feedback e novos contributos.
Pessoalmente não tenho grandes expectativas para o ano que se avizinha. Talvez seja de hoje estar um dia de chuva e de ter lido os jornais. Gostaria de ver o país animar-se, usar a sua imaginação para sair do estado depressivo em que caiu (e foi empurrado, igualmente).
Gostava que 2004 fosse o ano em a RTP deixasse de ser pimba, o Bigbrother fosse esquecido e a Sic Radical voltasse a transmitir OS MARRETAS (de todos, este parece ser o pedido mais provável...).
No fundo, o que eu queria mesmo era que Portugal olhasse para si próprio e distinguisse o que vale a pena do que não passa de lixo. Mas isso não é um trabalho para um ano, imagino. Talvez para um século.
Bom Ano e espero que cada um de nós consiga chegar ao fim sentindo que se tornou uma melhor pessoa.
Até 2004
Foi o ano de todos os sustos. O que todos sabíamos e ninguém falava começou a vir ao de cima. Mexeu-se no lodo e começámos todos a dar às pernas, aflitos, nas água da terra-mãe. Falar dói mais do que calar. Mudar dói mais do que ficar quieto (ou assim parece).
Muitos de nós sentimos a necessidade de controlo que se apoderou dos portugueses: é preciso controlar o défice, as baixas fraudulentas, a fuga aos impostos, o desafio à lei. Ou simplesmente à forma menos ortodoxa de trabalhar, no caso dos empregadores mais stressados...
Foi o ano em que foi necessário partir. As coisas instaladas. A Função Pública, ou pelo menos os sectores mais instalados dela, não voltará/ão a ser o reduto de malandros improdutivos que era pelo menos há quase 30 anos. Nunca mais (ou pelo menos nos tempos mais próximos) se poderá dizer: "entrei para o quadro já não preciso de trabalhar". Ou pelo menos assim o julga o piedoso Bagão Félix (ou nós julgamos que ele julga, que no que toca a pessoas com as costas quentes, seja da Igreja Católica, seja de outro lóbi qualquer, nunca se sabe onde acaba a verdade e começa a conveniência).
Este foi o ano do boom e morte de muitos blogues. O Prazer_Inculto nasceu a 1 de Março, e ainda por cá anda (pelo menos por mais uns tempos). Como podem ver pelo canto superior esquerdo, recebeu até hoje, mais de 30.000 visitas. Não é muito, comparado com os blogues obscenos ou com os políticos. Mas esse nunca foi o objectivo. Quem vier por bem continuará a ser bem-vindo. E aos mais fiéis, envio o abraço de alguém que se tem sentido contente por poder partilhar por um meio muito diferente dos livros as suas ideias e delas ter recebido feedback e novos contributos.
Pessoalmente não tenho grandes expectativas para o ano que se avizinha. Talvez seja de hoje estar um dia de chuva e de ter lido os jornais. Gostaria de ver o país animar-se, usar a sua imaginação para sair do estado depressivo em que caiu (e foi empurrado, igualmente).
Gostava que 2004 fosse o ano em a RTP deixasse de ser pimba, o Bigbrother fosse esquecido e a Sic Radical voltasse a transmitir OS MARRETAS (de todos, este parece ser o pedido mais provável...).
No fundo, o que eu queria mesmo era que Portugal olhasse para si próprio e distinguisse o que vale a pena do que não passa de lixo. Mas isso não é um trabalho para um ano, imagino. Talvez para um século.
Bom Ano e espero que cada um de nós consiga chegar ao fim sentindo que se tornou uma melhor pessoa.
Até 2004
28 de dezembro de 2003
E-MAILS
Na minha caixa de correio, dois e-mails de alunos meus. Separados por12 anos de distância. Os dois a lembrarem com alegria os dias que partilhámos entre aprendizagens. E deste lado, o mesmo sentimento contente.
Uma amiga minha, já desaparecida, afirmava que "no fim do ano, o professor fica sempre com as mãos vazias". Tinha razão, os professores sucedem-se e muitos são esquecidos e esquecem as muitas caras com que se cruzam. Mas às vezes, algumas vezes, somos confrontados com a memória de termos tocado o coração ou a inteligência de alguém. E nesse instante, as nossas mãos - abertas - enchem-se de novo.
:)
Na minha caixa de correio, dois e-mails de alunos meus. Separados por12 anos de distância. Os dois a lembrarem com alegria os dias que partilhámos entre aprendizagens. E deste lado, o mesmo sentimento contente.
Uma amiga minha, já desaparecida, afirmava que "no fim do ano, o professor fica sempre com as mãos vazias". Tinha razão, os professores sucedem-se e muitos são esquecidos e esquecem as muitas caras com que se cruzam. Mas às vezes, algumas vezes, somos confrontados com a memória de termos tocado o coração ou a inteligência de alguém. E nesse instante, as nossas mãos - abertas - enchem-se de novo.
:)
27 de dezembro de 2003
BREAKING NEWS
A Tvi e o seu mais do que esforçado telejornal descobriram uma prisão portuguesa que tem uma Ala Livre de Drogas. Pudemos ver como rapaziada jovem e já sem carros para assaltar se entretinha a cantar e fazer tapetes. Isto dá-nos duas esperanças: a) existem espaços prisionais onde trabalham guardas que não se preocupam a arredondar os finais de mês. b) Novos talentos da indústria têxtil e do Mundo da Canção poderão surgir em breve (2 ou 3 anos, com bom comportamento ou se o Papa não bater as botas e lhe apetecer vir rezar à nossa senhora de fátima...).
Nem tudo está perdido.
A Tvi e o seu mais do que esforçado telejornal descobriram uma prisão portuguesa que tem uma Ala Livre de Drogas. Pudemos ver como rapaziada jovem e já sem carros para assaltar se entretinha a cantar e fazer tapetes. Isto dá-nos duas esperanças: a) existem espaços prisionais onde trabalham guardas que não se preocupam a arredondar os finais de mês. b) Novos talentos da indústria têxtil e do Mundo da Canção poderão surgir em breve (2 ou 3 anos, com bom comportamento ou se o Papa não bater as botas e lhe apetecer vir rezar à nossa senhora de fátima...).
Nem tudo está perdido.
26 de dezembro de 2003
INDULTO
Contrariando a última moda portuguesa de colocar tudo quanto mexe na cadeia, o Presidente da República resolveu diminuir a pena da enfermeira condenada pela prática de aborto em diversas mulheres. Todas tinham ido até ela pelo seu pé, carregando o peso da sua decisão. Ainda assim, o juiz resolveu a coisa com mão pesada. Enfim, quem dorme na sua cama é ele e, como se sabe, em Portugal, o que o Juiz Decide está decidido. Sic.
A Juventude (????) Popular já veio manifestar o seu repúdio pelo acto presidencial. Em comunicado terá referido a medida como inoportuna, numa altura em que "se reuniu um amplo consenso quanto à necessidade de combater de forma exemplar o flagelo do aborto clandestino". As companhias de aviação com ligações a Londres e Madrid já vieram apoiar esta medida, temendo perder metade da classe executiva para esses destinos operatórios.
Contrariando a última moda portuguesa de colocar tudo quanto mexe na cadeia, o Presidente da República resolveu diminuir a pena da enfermeira condenada pela prática de aborto em diversas mulheres. Todas tinham ido até ela pelo seu pé, carregando o peso da sua decisão. Ainda assim, o juiz resolveu a coisa com mão pesada. Enfim, quem dorme na sua cama é ele e, como se sabe, em Portugal, o que o Juiz Decide está decidido. Sic.
A Juventude (????) Popular já veio manifestar o seu repúdio pelo acto presidencial. Em comunicado terá referido a medida como inoportuna, numa altura em que "se reuniu um amplo consenso quanto à necessidade de combater de forma exemplar o flagelo do aborto clandestino". As companhias de aviação com ligações a Londres e Madrid já vieram apoiar esta medida, temendo perder metade da classe executiva para esses destinos operatórios.
24 de dezembro de 2003
NOTÍCIAS URGENTES ENTRE RABANADAS
Fui acordado pela notícia urgente na Antena Um. Em directo do Iraque, no noticiário entrevistava-se um responsável da GNR sobre o horror da não-chegada do bacalhau. Com ar heróico, o graduado respondia que os militares em serviço no Iraque "estavam preparados para enfrentar as adversidades (...) que esta ERA GRAVE, mas que iriam suportar com espírito de missão".
A RTP, também desenvolveu o assunto e ainda nos informou que o BOLO REI também não chegaria aos palatos republicanos.
Perante esta crise, pergunto eu: o que fez o Ministro da Defesa para aligeirar o temível fardo (de bacalhau) a quem se sacrifica assim pela pátria? Responde ele: "Fizemos umas k7 de vídeo com mensagens das famílias. Uma espécie de "Adeus e Até Ao Meu Regresso- REDUX".
Alguém anda a passar muito tempo com ex-combatentes...
Fui acordado pela notícia urgente na Antena Um. Em directo do Iraque, no noticiário entrevistava-se um responsável da GNR sobre o horror da não-chegada do bacalhau. Com ar heróico, o graduado respondia que os militares em serviço no Iraque "estavam preparados para enfrentar as adversidades (...) que esta ERA GRAVE, mas que iriam suportar com espírito de missão".
A RTP, também desenvolveu o assunto e ainda nos informou que o BOLO REI também não chegaria aos palatos republicanos.
Perante esta crise, pergunto eu: o que fez o Ministro da Defesa para aligeirar o temível fardo (de bacalhau) a quem se sacrifica assim pela pátria? Responde ele: "Fizemos umas k7 de vídeo com mensagens das famílias. Uma espécie de "Adeus e Até Ao Meu Regresso- REDUX".
Alguém anda a passar muito tempo com ex-combatentes...
23 de dezembro de 2003
FIREPLACE
Os lugares de fogo são frequentemente solitários. Como aqueles que se habitam quando a família parte para dormir e ouvimos as chamas da lareira crepitarem. Nesses instantes somos carregados em braços vermelhos até um tempo primitivo em que só existia o Homem e o seu periclitante destino. Ficamos sozinhos com a evidência das coisas naturais. E é dessa postura desarmante que compreendemos a força combativa que transportamos.
Os lugares de fogo são frequentemente solitários. Como aqueles que se habitam quando a família parte para dormir e ouvimos as chamas da lareira crepitarem. Nesses instantes somos carregados em braços vermelhos até um tempo primitivo em que só existia o Homem e o seu periclitante destino. Ficamos sozinhos com a evidência das coisas naturais. E é dessa postura desarmante que compreendemos a força combativa que transportamos.
22 de dezembro de 2003
MANOBRAS DE DIVERSÃO
As Produções Fictícias apresentam no S. Luis os melhores momentos dos espectáculos "Manobras".
Durante hora e meia rimos com o humor inteligente e o trabalho do encenador (Marco Horácio) e dos actores que temos visto crescer (no caso do Bruno Nogueira, de forma imparável...), diante dos nossos olhos. Os textos reflectem a actualidade portuguesa de uma forma frequentemente certeira e sempre muito divertida. Excelentes momentos como o pastiche ao programa da Ana Sousa Dias (em que os dois actores são brilhantes), os padres cantores ou a rábula da Revista à Portuguesa, justificam a deslocação urgente ao S. Luís. Querendo ou não, aquilo que o Parque Mayer foi, na memória de muitos, em termos de divertimento e crítica, aconteceu ali.
Destaque para as luzes e para o grafismo geral da peça.
Desviem-se os que gostam de sair de uma sala em sofrimento... É que ali até bolas de papel para atirar aos actores se recebe.... ;)
As Produções Fictícias apresentam no S. Luis os melhores momentos dos espectáculos "Manobras".
Durante hora e meia rimos com o humor inteligente e o trabalho do encenador (Marco Horácio) e dos actores que temos visto crescer (no caso do Bruno Nogueira, de forma imparável...), diante dos nossos olhos. Os textos reflectem a actualidade portuguesa de uma forma frequentemente certeira e sempre muito divertida. Excelentes momentos como o pastiche ao programa da Ana Sousa Dias (em que os dois actores são brilhantes), os padres cantores ou a rábula da Revista à Portuguesa, justificam a deslocação urgente ao S. Luís. Querendo ou não, aquilo que o Parque Mayer foi, na memória de muitos, em termos de divertimento e crítica, aconteceu ali.
Destaque para as luzes e para o grafismo geral da peça.
Desviem-se os que gostam de sair de uma sala em sofrimento... É que ali até bolas de papel para atirar aos actores se recebe.... ;)
20 de dezembro de 2003
19 de dezembro de 2003
JÁ É TARDE ESTA NOITE
Vim todo o trajecto, a pé, a pensar que os deuses se divertem a jogar connosco ao Gato e ao Rato sobre um tabuleiro de damas. Julgamos que é xadrez e que nos basta saber que aquilo é uma torre, ali um cavalo e que se movem em diagonal, ou a direito, ou de outra forma qualquer. Cremos ser possível dominar as regras complicadas e vencer. Mas trata-se de um jogo mais simples. E nós temos apenas uma peça para mover.
Esta noite, entre a Estrela e Campo e Ourique cheirava a árvores tropicais. Mesmo se as ruas estavam desertas com vagabundos e polícias como sempre. Havia este aroma. Desconfio que Lisboa foi de viagem até de manhã...
Vim todo o trajecto, a pé, a pensar que os deuses se divertem a jogar connosco ao Gato e ao Rato sobre um tabuleiro de damas. Julgamos que é xadrez e que nos basta saber que aquilo é uma torre, ali um cavalo e que se movem em diagonal, ou a direito, ou de outra forma qualquer. Cremos ser possível dominar as regras complicadas e vencer. Mas trata-se de um jogo mais simples. E nós temos apenas uma peça para mover.
Esta noite, entre a Estrela e Campo e Ourique cheirava a árvores tropicais. Mesmo se as ruas estavam desertas com vagabundos e polícias como sempre. Havia este aroma. Desconfio que Lisboa foi de viagem até de manhã...
18 de dezembro de 2003
CINEMA NOVO
Estreia amanhã. A materialização do último livro.
Ouvi dizer que os ortodoxos da Escola de Cinema se iriam acorrentar em frente ao écran. "Não concebemos a emoção aliada ao entendimento do que se vê e ouve", terá dito um docente (que pediu um novo adiamento da reforma). Outro ter-se-á limitado a exclamar: "Ouvimos dizer que há partes em que o público SE RI!!!!". Poderão todos ter começado a gritar: "Morte ao Vasco Santana! Morte ao Vasco Santana!"...
Eu não acredito nesta história, mas enfim...
Estreia amanhã. A materialização do último livro.
Ouvi dizer que os ortodoxos da Escola de Cinema se iriam acorrentar em frente ao écran. "Não concebemos a emoção aliada ao entendimento do que se vê e ouve", terá dito um docente (que pediu um novo adiamento da reforma). Outro ter-se-á limitado a exclamar: "Ouvimos dizer que há partes em que o público SE RI!!!!". Poderão todos ter começado a gritar: "Morte ao Vasco Santana! Morte ao Vasco Santana!"...
Eu não acredito nesta história, mas enfim...
TEMPUS FUGIT
Enquanto corríamos por ervas daninhas imaginando-as florestas, éramos estes:
E era por ela que o nosso coração batia...
Enquanto julgávamos que um dia seríamos ele:
Resta-nos apenas esta música antiga...
Enquanto corríamos por ervas daninhas imaginando-as florestas, éramos estes:
E era por ela que o nosso coração batia...
Enquanto julgávamos que um dia seríamos ele:
Resta-nos apenas esta música antiga...
16 de dezembro de 2003
MENSAGEM DE NATAL DE SUA EXCELÊNCIA "A gRALHA"
Depois de seleccionar cuidadosamente as pessoas a quem queria enviar uma mensagem de Boas Festas, do meu livro de endereços, teclei-a furiosamente. Para me sair um neologismo interessante "Ortiga". Depreendi que os deuses me tinham feito profeta de uma nova planta... (suspiro) Há dias em que a melhor das vontades...
ORTIGA (urticariaignorantis)
Depois de seleccionar cuidadosamente as pessoas a quem queria enviar uma mensagem de Boas Festas, do meu livro de endereços, teclei-a furiosamente. Para me sair um neologismo interessante "Ortiga". Depreendi que os deuses me tinham feito profeta de uma nova planta... (suspiro) Há dias em que a melhor das vontades...
ORTIGA (urticariaignorantis)
"UMA BRECHA NA MURALHA DA HIPOCRISIA"
... disse, neste tom vindo de outras eras mais combativas, um dirigente partidário, a propósito da despenalização do aborto. Pode ser que tenha razão.
Há dias li a notícia que um grupo de mulheres, auto-intituladas uma coisa que se me varreu, mas que não era "Mães de Bragança", veio a público sugerir que se "recuasse ainda mais na lei". Argumentavam que quem defendia a despenalização não estava a favor das mulheres. Presumia-se que estavam a favor da libertinagem. Que as putas que tinham engravidado por gozo e falta de cabeça, tinham mais era que aguentar com as consequências. Não se referiam aos casos de violação ou de malformação do feto, mas percebia-se que era para trazer tudo cá para fora. Amado ou não amado. O que interessava era que "estava feito". Enfim, não vou falar sobre isso porque me desperta o lado mais irracional e sou capaz de desatar a ser malcriado e a defender que ir abrir as pernas a Londres por milhares de libras não é diferente de utilizar a mão-de-obra local. Mas dizer isto não seria muito útil.
Digo apenas que das várias mulheres que conheci e que foram forçadas a abortar, todas o fizeram com dor. Física e sobretudo psicológica. Todas carregaram a culpa consigo. Todas prefeririam não ter de o fazer. Mesmo se elas se encontravam em situação economicamente difícil, ou se eram jovens estudantes, ou se o feto que traziam seria filho do homem que as abandonara e que fora a casa para se deitar com elas, antes de partir novamente... Nenhuma o fez por leviandade.
As mulheres no tribunal de Aveiro e os médicos fazem muito bem em não responder. As (poucas) que saírem à rua para gritar a hipocrisia desta lei, também fazem.
Se os arguidos forem condenados que cumpram a pena injusta. Ninguém escolhe o momento histórico em que vive. E este nem sequer é dos mais bárbaros. Dos mais hipócritas, provavelmente.
Mas não nos peçam que nos calemos.
... disse, neste tom vindo de outras eras mais combativas, um dirigente partidário, a propósito da despenalização do aborto. Pode ser que tenha razão.
Há dias li a notícia que um grupo de mulheres, auto-intituladas uma coisa que se me varreu, mas que não era "Mães de Bragança", veio a público sugerir que se "recuasse ainda mais na lei". Argumentavam que quem defendia a despenalização não estava a favor das mulheres. Presumia-se que estavam a favor da libertinagem. Que as putas que tinham engravidado por gozo e falta de cabeça, tinham mais era que aguentar com as consequências. Não se referiam aos casos de violação ou de malformação do feto, mas percebia-se que era para trazer tudo cá para fora. Amado ou não amado. O que interessava era que "estava feito". Enfim, não vou falar sobre isso porque me desperta o lado mais irracional e sou capaz de desatar a ser malcriado e a defender que ir abrir as pernas a Londres por milhares de libras não é diferente de utilizar a mão-de-obra local. Mas dizer isto não seria muito útil.
Digo apenas que das várias mulheres que conheci e que foram forçadas a abortar, todas o fizeram com dor. Física e sobretudo psicológica. Todas carregaram a culpa consigo. Todas prefeririam não ter de o fazer. Mesmo se elas se encontravam em situação economicamente difícil, ou se eram jovens estudantes, ou se o feto que traziam seria filho do homem que as abandonara e que fora a casa para se deitar com elas, antes de partir novamente... Nenhuma o fez por leviandade.
As mulheres no tribunal de Aveiro e os médicos fazem muito bem em não responder. As (poucas) que saírem à rua para gritar a hipocrisia desta lei, também fazem.
Se os arguidos forem condenados que cumpram a pena injusta. Ninguém escolhe o momento histórico em que vive. E este nem sequer é dos mais bárbaros. Dos mais hipócritas, provavelmente.
Mas não nos peçam que nos calemos.
15 de dezembro de 2003
14 de dezembro de 2003
A CIDADE DAS SETE COLINAS
Como sei que nem toda a minha gente compra o "Expresso", passo a reproduzir este pequeno excerto de uma história que, segundo creio, ali terá sido referida... (Provavelmente, e conhecendo a compência camarária geral, mais do que falsa: falsíssima!)
"Conto, aliás, uma história que ouvi recentemente.
Um cidadão português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o
Tejo, descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de
Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não tinha
janela.
Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o projecto e o
entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva autorização para a
obra.
O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria bastantes meses ou mesmo anos a
obter uma resposta e que, no final, ela seria negativa. No entanto,
acrescentou, ele resolveria o problema.
Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros entrou na
referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a fachada. O
arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a nova janela e
endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse permitido ao proprietário
fechar a dita cuja janela.
Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora: invocando um
extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os serviços da câmara
davam um rotundo não à pretensão do proprietário de fechar a dita cuja
janela.
E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou com toda
a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia, se atreva a vir
dizer-lhe que tem de fechar a janela!"
Como sei que nem toda a minha gente compra o "Expresso", passo a reproduzir este pequeno excerto de uma história que, segundo creio, ali terá sido referida... (Provavelmente, e conhecendo a compência camarária geral, mais do que falsa: falsíssima!)
"Conto, aliás, uma história que ouvi recentemente.
Um cidadão português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o
Tejo, descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de
Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não tinha
janela.
Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o projecto e o
entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva autorização para a
obra.
O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria bastantes meses ou mesmo anos a
obter uma resposta e que, no final, ela seria negativa. No entanto,
acrescentou, ele resolveria o problema.
Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros entrou na
referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a fachada. O
arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a nova janela e
endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse permitido ao proprietário
fechar a dita cuja janela.
Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora: invocando um
extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os serviços da câmara
davam um rotundo não à pretensão do proprietário de fechar a dita cuja
janela.
E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou com toda
a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia, se atreva a vir
dizer-lhe que tem de fechar a janela!"
AS INVASÕES BÁRBARAS
Já não me lembrava do filme anterior, O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO, por isso lá fui um bocadinho a medo (sinceramente, levado pelo prémio de melhor Argumento em Cannes - um filme que tem um bom argumento, e que ISSO SE PERCEBE, dificilmente será apenas um insuportável barrete...).
E gostei muito.
A figura de Remy, o doente terminal que recusa a família e o conforto para mais tarde aceitar o destino e o amor dos seus, é formidável. Mas o melhor será a forma como estes "Amigos de Alex" olham sarcásticos para o seu passado maoísta e empenhado. Divertidísso (num sentido que os apreciadores de Fernando Rocha nunca sonharão...). Ainda há pouco estava a ver o Fernando Rosas, na tv, a falar sobre o Iraque e me lembrei deles :-)
Já não me lembrava do filme anterior, O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO, por isso lá fui um bocadinho a medo (sinceramente, levado pelo prémio de melhor Argumento em Cannes - um filme que tem um bom argumento, e que ISSO SE PERCEBE, dificilmente será apenas um insuportável barrete...).
E gostei muito.
A figura de Remy, o doente terminal que recusa a família e o conforto para mais tarde aceitar o destino e o amor dos seus, é formidável. Mas o melhor será a forma como estes "Amigos de Alex" olham sarcásticos para o seu passado maoísta e empenhado. Divertidísso (num sentido que os apreciadores de Fernando Rocha nunca sonharão...). Ainda há pouco estava a ver o Fernando Rosas, na tv, a falar sobre o Iraque e me lembrei deles :-)
AGARRA QUE É SADDAM
Perdi o discurso do nosso Primeiro sobre a captura do fugitivo iraquiano. Estava marcada para as 17.00h, mas prudentemente, resolveu ouvir primeiro o que dizia o Pai Bush e tudo o que era líder europeu, antes de arriscar uma opinião.
Portugal está mesmo a mudar. Os nossos governantes estão a ficar verdadeiramente prudentes e reflectidos. Sim senhor...!
Perdi o discurso do nosso Primeiro sobre a captura do fugitivo iraquiano. Estava marcada para as 17.00h, mas prudentemente, resolveu ouvir primeiro o que dizia o Pai Bush e tudo o que era líder europeu, antes de arriscar uma opinião.
Portugal está mesmo a mudar. Os nossos governantes estão a ficar verdadeiramente prudentes e reflectidos. Sim senhor...!
EQUADOR
Miguel Sousa Tavares deu uma entrevista exemplar ao "Mil Folhas". Pela primeira vez, desde que me lembro, alguém que escreveu um livro de ficção, não se declarou "escritor". Pelo contrário, afirma que o não é. E lá ficamos todos a discutir se terá razão ou não. O seu testemunho foi tão honesto e fiel como o livro. Sem paciência para as "caganças"que caracterizam o discurso geral, limita-se a dizer que tinha uma história para contar e a contou o melhor que foi capaz. Mais: atreve-se a dizer que "não sabe se o seu livro ajudou a literatura. Mas que ajudou, de certeza, a leitura". E isto é indiscutível.
Duvidosamente, Equador ganhará qualquer prémio literário. Não está na editora certa, e vendeu demasiados exemplares. De resto, com a honestidade de alguém que leu as mais de 500 páginas e gostou, não sei se o mereceria. O ano passado, em Barcelona, Agustina disse uma coisa que chocou muita gente: afirmou que em Portugal se tinha inventado uma nova razão para atribuir prémios literários, a Piedade. Isto é, premeia-se aqueles que ninguém quer ler. Ela tem idade e talento suficientes para a acreditarmos.
Sousa Tavares, quando quiser pode escrever neste blog. A sua postura não poderia estar mais próxima da ironia do Prazer Inculto...
Miguel Sousa Tavares deu uma entrevista exemplar ao "Mil Folhas". Pela primeira vez, desde que me lembro, alguém que escreveu um livro de ficção, não se declarou "escritor". Pelo contrário, afirma que o não é. E lá ficamos todos a discutir se terá razão ou não. O seu testemunho foi tão honesto e fiel como o livro. Sem paciência para as "caganças"que caracterizam o discurso geral, limita-se a dizer que tinha uma história para contar e a contou o melhor que foi capaz. Mais: atreve-se a dizer que "não sabe se o seu livro ajudou a literatura. Mas que ajudou, de certeza, a leitura". E isto é indiscutível.
Duvidosamente, Equador ganhará qualquer prémio literário. Não está na editora certa, e vendeu demasiados exemplares. De resto, com a honestidade de alguém que leu as mais de 500 páginas e gostou, não sei se o mereceria. O ano passado, em Barcelona, Agustina disse uma coisa que chocou muita gente: afirmou que em Portugal se tinha inventado uma nova razão para atribuir prémios literários, a Piedade. Isto é, premeia-se aqueles que ninguém quer ler. Ela tem idade e talento suficientes para a acreditarmos.
Sousa Tavares, quando quiser pode escrever neste blog. A sua postura não poderia estar mais próxima da ironia do Prazer Inculto...
13 de dezembro de 2003
APRENDER É MAÇADA
S.Tomé' 2003
Numa escola que eu conheço, 5 alunos faltaram a um teste. Porque não lhes apeteceu. O que conduziu a um processo de "Recuperação" (não remunerado ao professor). Desses 5, 3 resolveram faltar à "Recuperação". Não estavam em dia de ser recuperados, suponho. O Estado-Providência já lhes preparou mais uma (não remunerada ao professor). Irão se quiserem. Se não quiserem, ainda têm mais 2 hipóteses.
Não remuneradas à igualdade entre os novos do mundo.
S.Tomé' 2003
Numa escola que eu conheço, 5 alunos faltaram a um teste. Porque não lhes apeteceu. O que conduziu a um processo de "Recuperação" (não remunerado ao professor). Desses 5, 3 resolveram faltar à "Recuperação". Não estavam em dia de ser recuperados, suponho. O Estado-Providência já lhes preparou mais uma (não remunerada ao professor). Irão se quiserem. Se não quiserem, ainda têm mais 2 hipóteses.
Não remuneradas à igualdade entre os novos do mundo.
12 de dezembro de 2003
PAGA!
Como é do conhecimento geral, faço parte do grupo de sardinhas que se empilham diariamente nos transportes públicos em Lisboa. Por isso, estou à-vontade para falar sobre carros.
Santana Lopes entende, e bem, que há muitos carros no centro de Lisboa, que não é como a Quinta da Marinha nem as outras zonas por onde ele se passeará, onde há sempre espaço para um motorista arrumar o carro.
Daí que tenha resolvido atacar o problema por onde ele dói: o bolso dos automobilistas. No que tem razão, segundo penso. A única lei que os portugueses entendem à primeira (logo a seguir ao murro nos dentes) é ter de pagar por qualquer coisa que tinham de borla.
Agora é a circulação na Baixa de Lisboa que passará a ser paga. Não tenho nada a objectar, desde que rede de transportes públicos seja reforçada e os funcionários da Carris trabalhem pelo menos uns 200 dias por ano.
Já me chateia mais a ideia de que a EMEL , a empresa mais burocrática, antipática e disfuncional da cidade (e porventura uma das mais abonadas, sabe-se lá para onde vai o dinheiro) tenha tomado o freio nos dentes e venha exigir aos moradores QUE PAGUEM ESTACIONAMENTO nas suas áreas de residência. Não lhes chega cobrarem fortunas por toda a cidade, como ainda estão decididos a penalizar os milhares de pessoas que não dispõem de garagem nos seus prédios para arrumar os carros ao fim do dia.
Ainda estou para ver que desculpa é que o amigo Pedro vai arranjar para justificar esta cedência aos lóbis camarário-empresariais...
Como é do conhecimento geral, faço parte do grupo de sardinhas que se empilham diariamente nos transportes públicos em Lisboa. Por isso, estou à-vontade para falar sobre carros.
Santana Lopes entende, e bem, que há muitos carros no centro de Lisboa, que não é como a Quinta da Marinha nem as outras zonas por onde ele se passeará, onde há sempre espaço para um motorista arrumar o carro.
Daí que tenha resolvido atacar o problema por onde ele dói: o bolso dos automobilistas. No que tem razão, segundo penso. A única lei que os portugueses entendem à primeira (logo a seguir ao murro nos dentes) é ter de pagar por qualquer coisa que tinham de borla.
Agora é a circulação na Baixa de Lisboa que passará a ser paga. Não tenho nada a objectar, desde que rede de transportes públicos seja reforçada e os funcionários da Carris trabalhem pelo menos uns 200 dias por ano.
Já me chateia mais a ideia de que a EMEL , a empresa mais burocrática, antipática e disfuncional da cidade (e porventura uma das mais abonadas, sabe-se lá para onde vai o dinheiro) tenha tomado o freio nos dentes e venha exigir aos moradores QUE PAGUEM ESTACIONAMENTO nas suas áreas de residência. Não lhes chega cobrarem fortunas por toda a cidade, como ainda estão decididos a penalizar os milhares de pessoas que não dispõem de garagem nos seus prédios para arrumar os carros ao fim do dia.
Ainda estou para ver que desculpa é que o amigo Pedro vai arranjar para justificar esta cedência aos lóbis camarário-empresariais...
11 de dezembro de 2003
10 de dezembro de 2003
SURPRESAS
A dieta moderada que tenho vindo a fazer de televisão e jornais está-me a fazer bem. Ando muito menos "Informado" :-)
Contudo, há uns dias, ao zapar pela pantalla, descubro que ainda existe o Big Brother, que julgava saudavelmente extinto. E o Herman também ainda repete os seus "soquetes"... Os mesmos da minha adolescência. É maravilhosa a ausência de timing de algumas pessoas.
Por este andar desinformado ainda descubro que o Tal Programa cultural da DOIS já começou...!
A dieta moderada que tenho vindo a fazer de televisão e jornais está-me a fazer bem. Ando muito menos "Informado" :-)
Contudo, há uns dias, ao zapar pela pantalla, descubro que ainda existe o Big Brother, que julgava saudavelmente extinto. E o Herman também ainda repete os seus "soquetes"... Os mesmos da minha adolescência. É maravilhosa a ausência de timing de algumas pessoas.
Por este andar desinformado ainda descubro que o Tal Programa cultural da DOIS já começou...!
9 de dezembro de 2003
CINEMA INDEPENDENTE
Pelo que fui lendo na blogosfera, muitos são os que consideram o artigo do Independente sobre o estado do cinema português como "demagógico".
Eu, que vi alguns dos filmes, pareceu-me ser apenas a apresentação de factos.
O outro foi que estive quase sempre sózinho na sala durante as projecções.
O último foi que percebi completamente as razões de quem lá não estava.
Mas estou com aqueles que que querem tapar o sol com a peneira. Boraí todos fingir que só se fazem filmes maravilhosos e que o público (os 10 milhões) é que é estúpido!
Pelo que fui lendo na blogosfera, muitos são os que consideram o artigo do Independente sobre o estado do cinema português como "demagógico".
Eu, que vi alguns dos filmes, pareceu-me ser apenas a apresentação de factos.
O outro foi que estive quase sempre sózinho na sala durante as projecções.
O último foi que percebi completamente as razões de quem lá não estava.
Mas estou com aqueles que que querem tapar o sol com a peneira. Boraí todos fingir que só se fazem filmes maravilhosos e que o público (os 10 milhões) é que é estúpido!
6 de dezembro de 2003
CALVINO
"Assim, temos de recordar-nos de que se nos impressiona a ideia do mundo constituído de átomos sem peso é porque temos experiência do peso das coisas; tal como não poderíamos admirar a leveza da linguagem se não soubéssemos admirar também a linguagem dotada de peso"
(Italo Calvino, in "Seis propostas para o próximo milénio" - A Leveza)
"Assim, temos de recordar-nos de que se nos impressiona a ideia do mundo constituído de átomos sem peso é porque temos experiência do peso das coisas; tal como não poderíamos admirar a leveza da linguagem se não soubéssemos admirar também a linguagem dotada de peso"
(Italo Calvino, in "Seis propostas para o próximo milénio" - A Leveza)
OLD LIGHT GOES HUNTING
Hoje vi o novo livro da Rita Ferro, sobre cromos. No resultado da maravilhosa parceria que tem estabelecido com o seu novo editor N. Matos, varre os portugueses com as suas desencontradas farpas. Vai dos intelectuais até sabe Deus onde... Sempre com a mesma acidez. Um pouco o que a Ana Bola tinha feito com as tias, mas sem a graça.
Contudo, eu, pessoalmente, fiquei contente. Vi-me lateralmente referido :-) Embora sem grande arrojo, admito... Descobri que ainda há gente empenhada cuspir na nome do meu homónimo Possidónio da Silva (1806-1896). Aparentemente, as tias e as velhas carquejas editoriais ainda se lembram de que há cem anos atrás este nome próprio era sinónimo de ingenuidade.
Se tivessem pensado em mim, com certeza que não teriam deixado de referir que por vezes pode ser sinónimo de honestidade e de lealdade aos valores humanísticos.
Ai espera... Mas isso não ajuda a fazer bestsellers, pois não...?!
Hoje vi o novo livro da Rita Ferro, sobre cromos. No resultado da maravilhosa parceria que tem estabelecido com o seu novo editor N. Matos, varre os portugueses com as suas desencontradas farpas. Vai dos intelectuais até sabe Deus onde... Sempre com a mesma acidez. Um pouco o que a Ana Bola tinha feito com as tias, mas sem a graça.
Contudo, eu, pessoalmente, fiquei contente. Vi-me lateralmente referido :-) Embora sem grande arrojo, admito... Descobri que ainda há gente empenhada cuspir na nome do meu homónimo Possidónio da Silva (1806-1896). Aparentemente, as tias e as velhas carquejas editoriais ainda se lembram de que há cem anos atrás este nome próprio era sinónimo de ingenuidade.
Se tivessem pensado em mim, com certeza que não teriam deixado de referir que por vezes pode ser sinónimo de honestidade e de lealdade aos valores humanísticos.
Ai espera... Mas isso não ajuda a fazer bestsellers, pois não...?!
4 de dezembro de 2003
GREVES
Estou atrasado para a greve da Carris. Na prática, o tempo que vou esperar por um transporte alternativo é o mesmo que espero por um autocarro regular (que deveria passar de 15 em 15 minutos).
Obrigado aos habitantes de Matosinhos, Angra do Heroísmo, Évora, Braga, Vila Real, Quarteira e todos os outros que com os seus impostos estão a pagar os custos desta iniciativa de defesa dos direitos de trabalhadores (uma forma de dizer) de Lisboa.
E por falar em greves, alguns trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, foram hoje trabalhar "envergando uma peça de roupa preta". Protestam contra a perda de regalias (seria interessante publicar aqui a listagem das regalias de um trabalhador da CGD para se perceber do que estamos a falar).
No Estabelecimento Prisional de Lisboa parece que lhes vão seguir o exemplo por causa da pouca diversidade de canais por cabo. Amanhã muitos irão almoçar envergando uma peça de roupa interior rosa. Ou azul-bebé, conforme...
Estou atrasado para a greve da Carris. Na prática, o tempo que vou esperar por um transporte alternativo é o mesmo que espero por um autocarro regular (que deveria passar de 15 em 15 minutos).
Obrigado aos habitantes de Matosinhos, Angra do Heroísmo, Évora, Braga, Vila Real, Quarteira e todos os outros que com os seus impostos estão a pagar os custos desta iniciativa de defesa dos direitos de trabalhadores (uma forma de dizer) de Lisboa.
E por falar em greves, alguns trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, foram hoje trabalhar "envergando uma peça de roupa preta". Protestam contra a perda de regalias (seria interessante publicar aqui a listagem das regalias de um trabalhador da CGD para se perceber do que estamos a falar).
No Estabelecimento Prisional de Lisboa parece que lhes vão seguir o exemplo por causa da pouca diversidade de canais por cabo. Amanhã muitos irão almoçar envergando uma peça de roupa interior rosa. Ou azul-bebé, conforme...
GOVERNA QUEM SABE
O nosso clown, Alberto João, bateu o pé, para variar, a propósito da eterna dívida da Madeira. Terá certamente ameaçado com o que seria uma benção para todos nós, incluindo os nossos conterrâneos do arquipélago: não se recandidatar. Era mentira, claro, um palhaço morre sempre de forma patética debaixo das luzes da pista. Mas, a contrariada Manuela F. Leite, lá deve ter tido de ceder aos pedidos do - por assim dizer - líder do governo e vá de lhe perdoar tudo, fazer batota com as regras de contenção do endividamento. E ainda lhe arranjou mais uns trocos com que ele irá esfregar na cara do povo local como "tomem lá que EU vos dou mais isto".
Isto só vem provar que não existem em Portugal políticos de confiança. Quando a perda de votos ameaça dão o cu e cinco tostões para não perderem o poleiro.
Ora, ganhem vergonha na cara!
O nosso clown, Alberto João, bateu o pé, para variar, a propósito da eterna dívida da Madeira. Terá certamente ameaçado com o que seria uma benção para todos nós, incluindo os nossos conterrâneos do arquipélago: não se recandidatar. Era mentira, claro, um palhaço morre sempre de forma patética debaixo das luzes da pista. Mas, a contrariada Manuela F. Leite, lá deve ter tido de ceder aos pedidos do - por assim dizer - líder do governo e vá de lhe perdoar tudo, fazer batota com as regras de contenção do endividamento. E ainda lhe arranjou mais uns trocos com que ele irá esfregar na cara do povo local como "tomem lá que EU vos dou mais isto".
Isto só vem provar que não existem em Portugal políticos de confiança. Quando a perda de votos ameaça dão o cu e cinco tostões para não perderem o poleiro.
Ora, ganhem vergonha na cara!
3 de dezembro de 2003
2 de dezembro de 2003
JUNTAR IDEIAS AFASTAR O LIXO
Regresso de um bocado muito agradável, passado com um Clube de Leitura de Lisboa. Reúnem-se uma vez por mês, para falar de um livro que quase todas as pessoas acabaram de ler, colocam perguntas ao autor convidado e dizem de sua justiça sobre a obra em apreciação e muitas outras coisas. No fim, janta-se e descobrem-se as pessoas.
É simples, é barato e Deus sabe que fica nos antípodas da solidão que a televisão impõe. Se cada uma das pessoas que está a ler este post falasse com outras e organizasse um encontro deste género (à volta de um livro, de um filme ou de outra coisa qualquer) Portugal poderia a ser diferente. :)
Regresso de um bocado muito agradável, passado com um Clube de Leitura de Lisboa. Reúnem-se uma vez por mês, para falar de um livro que quase todas as pessoas acabaram de ler, colocam perguntas ao autor convidado e dizem de sua justiça sobre a obra em apreciação e muitas outras coisas. No fim, janta-se e descobrem-se as pessoas.
É simples, é barato e Deus sabe que fica nos antípodas da solidão que a televisão impõe. Se cada uma das pessoas que está a ler este post falasse com outras e organizasse um encontro deste género (à volta de um livro, de um filme ou de outra coisa qualquer) Portugal poderia a ser diferente. :)
"ELVIS" REGINA
Aqui fica um excerto de uma das minhas canções favoritas:
"(...) Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao
Vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as
aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém..."
(in "Como os Nossos Pais", de Belchior)
Aqui fica um excerto de uma das minhas canções favoritas:
"(...) Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao
Vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as
aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém..."
(in "Como os Nossos Pais", de Belchior)
1 de dezembro de 2003
MUDAM-SE OS TEMPOS...
Enquanto lia uns textos sobre o nosso conturbado século XIX, cheguei à conclusão que muitos historiadores lembram os anos à volta de 1836 como épocas em que "uma minoria composta de ministros, marechais e generais do exército, altos magistrados e chefes de repartições" consumiam a maior parte (frequentemente em "advance"...) dos recursos do Estado. Ao resto da maralha - excluindo a imensa maioria que arrancava da terra as couves e as batatas - restava o mendigar dos magros soldos.
Fico muito contente que 167 anos depois as coisas se tenham alterado RADICALMENTE.
Enquanto lia uns textos sobre o nosso conturbado século XIX, cheguei à conclusão que muitos historiadores lembram os anos à volta de 1836 como épocas em que "uma minoria composta de ministros, marechais e generais do exército, altos magistrados e chefes de repartições" consumiam a maior parte (frequentemente em "advance"...) dos recursos do Estado. Ao resto da maralha - excluindo a imensa maioria que arrancava da terra as couves e as batatas - restava o mendigar dos magros soldos.
Fico muito contente que 167 anos depois as coisas se tenham alterado RADICALMENTE.
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